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Resenha: Maior museu do mundo

 

Por aqui acreditamos muito na máxima de que “Um livro ilustrado é a primeira galeria de arte que uma criança visita” [frase emblemática de Kveta Pacovska].


Eu, particularmente, sou apaixonado pelas artes plásticas e busco, todos os anos, oportunizar uma ampliação de repertórios às minhas crianças, explorando biografias de artistas variados, vivências artísticas, diversas técnicas/suportes/escolas...


Creio que nós, enquanto educadores/escola, ainda estamos engatinhando no que cerne à exploração livre-afetiva de nossas crianças, especialmente por conta do engessamento que os sistemas nos impõem e por ainda estarmos presos à uma visão conteudista da sala de aula [vide os baixos índices referentes a criatividade que se apresentam atualmente].


Portanto, quando me deparo com obras que dialogam com aquilo que sou apaixonado, leitura de mundo, território, arte e transformação, me deleito por completo! Este é o caso de “Maior museu do mundo”, de Caio Zero, publicado pela Editora Pulo do Gato.


Quantas coisas podemos aprender num passeio com a escola? No Maior museu do mundo o protagonista embarca numa visita a um Museu de Arte com seus colegas e sua professora, num cenário urbano de muitas cores e vidas. Cada um tem sua própria história, mas quais são as histórias contadas pelas obras de um museu?


Neste livro cheio de cores e referências artísticas, Caio Zero nos leva a acompanhar um garoto curioso e observador durante uma visita escolar ao Museu e depois no seu retorno para casa. O deslocamento é chave para essa leitura porque vamos refletir, através do olhar do menino, sobre a importância do território e dos trajetos afetivos que nos desenham.


É impossível não terminar esta leitura com um sorriso bobo nos lábios e uma emoção perfurando o peito... vir de uma comunidade [e optar por permanecer nela] me faz perceber, dia a dia, o quanto precisamos seguir resistindo e lutando por aquilo que acreditamos, para além dos discursos! Lutar por oportunidade de acesso a bens culturais, a vivências artísticas, a ressignificação dos olhares para com as sutilezas poéticas do cotidiano e o quanto a arte está à nossa volta. E dentro de nós!


“O que você aprendeu hoje?”


- Livro: Maior museu do mundo.

- Autor: Caio Zero.

- Editora: Pulo do Gato.


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Resenha: Lanche noturno

 


Há livros que chegam como quem acende uma lamparina na escuridão. No caso de “Lanche Noturno”, sinto que a lamparina foi acesa, mas, ao mesmo tempo, sua chama tornou-se bruxuleante...


“Lanche noturno” noz propõe um convite delicado para atravessar a noite em companhia de animais que, enquanto o mundo dorme, encontram espaço para seus rituais, seus desejos e sua fome.


É impossível não se encantar com as ilustrações. Formidáveis, exuberantes, quase cinematográficas, elas dão ao livro uma força rara, que prende o olhar e pede demoradas pausas na leitura. Cada traço parece guardar uma história dentro da história, fazendo com que a atmosfera noturna se torne palpável e até reconfortante.


Já a narrativa, confesso, não me capturou de imediato. Senti que “faltava algo”, um fio mais firme que conduzisse o enredo. Belíssimo de se ver, mas não tão arrebatador de se ler (pelo menos, à primeira vista).


Quando compartilhei o livro com as crianças minhas certezas vacilaram. Seus olhos atentos me revelaram coisas que eu não havia notado: “o ratinho é o principal da história [..] será que ele está imaginando o banquete?”; “a coruja parece que tem cara de coração, deve ser porque ela fica igual a mãe dos bichos, dando comida pra eles”; “essa sombra de cartela na guarda, será que é um animal mágico que vai trazer o lanche? Ele deu tchau no final, será que ele fez tudo isso aparecer com os poderes?”...


Nesse jogo entre imagens e silêncios, ele também toca em questões maiores: a desigualdade, a generosidade, a esperança de que, ainda no escuro, um gesto pode transformar a realidade de alguém. Talvez sua narrativa não prenda tanto, mas abre espaço para que cada leitor (pequeno ou grande) preencha as lacunas com sua própria sensibilidade.


É um livro que se completa na partilha, que pede para ser lido em voz alta, comentado, visto e revisto. Porque, no fim, talvez não seja sobre a história que se conta, mas sobre as histórias que ela desperta em nós.


- Livro: Lanche noturno.

- Escritor: Eric Fan.

- Ilustradora: Dena Seiferling.

- Tradução: Lígia Azevedo.

- Editora: Companhia das Letrinhas.


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O B R I G A D O

 

“Em 2020, em meio à pandemia que escancara a fragilidade humana, revelando a importância das artes e dos afetos a salvaguardar nossa sobrevivência emocional, a editora Pulo do Gato tem a honra de celebrar, com a publicação deste livro, os 25 anos de carreira do escritor e ilustrador André Neves.

Viva a poesia e viva o poeta!”

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Devo iniciar confessando que possuo grande dificuldade para escrever sobre aquilo que amo. Quando digo amo, quero falar daquele AMOR VERDADEIRO, que nos invade, nos completa, nos transborda e nos faz transcender…

Esta é a minha relação com a obra de André Neves. Uma relação de AMOR. Genuíno. Intenso. Complexo.

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Com “Obrigado” André alcança algo inimaginável! Consegue transpor e transcender sua própria obra, saudando e brindando aqueles que lhe são caros, que fizeram e ainda fazem parte de sua vida e, neste percurso, nos permite adentrar em seu universo poético particular fazendo, assim, com que alcancemos um estágio de poetização da vida ESPETACULAR.

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Ainda me vejo aqui, mergulhado nessas “palavras com imagens sonhadas”, deslumbrado, como quando peguei o livro pela primeira vez.

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Uma das coisas que mais amei foi a "autoreferência" ao Obrigado, que vem presente em todas as ilustrações, ora mais explicitamente, ora de maneira mais discreta. Parece-me que eles (poetas) estão dialogando com o autor, o "Pequeno André", que os conta o que eles diriam, como se tivesse partilhando um segredo há muito tempo compartilhado e esquecido... Bem como vão conversando também com os colegas ao lerem, nas páginas do Obrigado que trazem nas mãos, o que diriam se fossem "pequenos".

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OBRIGADO, a meu ver, se tornou uma experiência de IMERSÃO. Mergulhamos, desde os primeiros rascunhos postados por André, passando pelas (sensacionais!) lives imaginárias e chegando ao livro, enquanto objeto, num MAR que ora nos nocauteia completamente, fazendo com que precisemos subir à superfície e recobrar o fôlego, ora nos abraça e, sutilmente, nos arrebata.


"Às vezes penso imagens com palavras.

É meu jeito de oferecer uma prece à minha infância.

Como acontece?

Não sei.

Acho mesmo que acontece sem acontecer.

É sonho grudado no olho agitando a fantasia."


André, correndo o risco de ser repetitivo (como sempre o sou), preciso dizer, mais uma vez: suas palavras me tocam, invadem, preenchem e fazem tudo que sinto, tudo que existe dentro de mim, assumir novas formas. Uma mutação de vida que nunca havia imaginado.

Suas ilustrações me encantam de tal maneira que, por mais piegas que possa parecer, não consigo expressar em palavras!

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Mais uma vez lhe agradeço. Por ser quem és. Por fazer o que fazes. Por se permitir e, em contrapartida, NOS PERMITIR.

Sentir. Ser. Estar.

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OBRIGADO!


OBRIGADO



Autor: André Neves ❤️

Número de Páginas: 64 páginas.

Editora: Pulo do Gato ❤️

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Resenha: Aprendiz da imperfeição

                                                                      

Sinopse: Um jovem convive com um grande pintor na condição de aprendiz de sua arte, mas, diante da humildade e generosidade do mestre, acaba por aprender mais sobre a vida, o tempo, a cumplicidade e o sentido da existência. A perfeição, segundo o mestre, é insuportável.

 

“Enquanto eu continuar na ignorância, não sou ninguém.”

 

Há livros e LIVROS, não é mesmo?!

Peço perdão e que não me levem à mal pela frase anterior, mas, o fato é que hoje, infelizmente, vemos uma imensidão de ‘clubinhos’ de livros e leituras pífios, sem curadoria alguma, com livros de textura, que desconsideram a inteligência dos leitores e tudo mais…

 

E por que resolvi iniciar dizendo isso? Porque é gratificante e RECONFORTANTE quando encontramos livros que nos enriquecem. Que nos inquietam. Que nos fazem refletir e nos TRANSFORMAM ao final da leitura.

 

Este é o caso de “Aprendiz da imperfeição”, editado pela sensacional Pulo do Gato. Quem me conhece um pouquinho muito provavelmente já me ouviu falando sobre a Pulo [olha a intimidade]. O catálogo da editora é deslumbrante, em todos os sentidos! Qualidade estética e literária, livros que não subestimam os leitores e de uma riqueza indescritível.

 

Em “Aprendiz da imperfeição” conhecemos um menino que viaja de muito longe com o desejo de ser aprendiz de um grande artista, porém, quando ele bate à porta do pintor, esse não a abre, recusando-se a aceitar o menino como aprendiz. Mas, depois de muitas tentativas [e recusas por parte do mestre] o menino consegue adentrar no ateliê e ser aceito pelo ancião.

 

Durante a leitura do livro somos levados, como o menino, a acompanhar todo o processo de trabalho do pintor, até o momento em que há uma pausa, uma ausência de uma semana e, quando ocorre o retorno, nos deparamos com o pintor exausto diante de seu maior trabalho: uma tela perfeita.

 

De muito longe vem visitantes querendo obter a obra. Pelos motivos mais diversos. Ganância, vaidade, orgulho ostentação… mas, a cada pedido de compra, o mestre responde:


“Vou pensar a respeito”.

 

O final do livro é de uma sensibilidade ímpar! Somos levados a refletir sobre mil questões, daquelas bem íntimas, que permeiam nosso [sub]consciente e, ao concluir a leitura, quando vem o silêncio, percebemos que, de fato, A VIDA É UM CICLO.

 

As ilustrações são verdadeiras obras de arte e complementam o texto, levando-nos a fazer outras leituras da obra.

 

“As ilustrações remetem o leitor à estética visual e à cultura japonesa. A delicadeza dos gestos e das vestimentas, a beleza dos cenários internos e a marca da passagem das estações complementam a narrativa com poesia, ampliando os sentidos do texto. O desfecho retoma o início da narrativa e ressignifica os papéis de mestre e aprendiz.”


 APRENDIZ DA IMPERFEIÇÃO


Autor: Pieter van Oudheusden.

Ilustradora: Stefanie De Grafe.

Número de páginas: 32 páginas.
Editora: Pulo do Gato 

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Experiência de leitura: Eloísa e os bichos


       
Sinopse: Ao se mudar com o pai para uma nova cidade, Eloísa acaba por se defrontar com um mundo totalmente diferente do que conhecia, no qual se sente um verdadeiro bicho estranho. Com o passar do tempo, tudo o que a assustava começa a ser incorporado com naturalidade a sua rotina. Autor e ilustrador oferecem um terno e renovado olhar sobre problemas sociais, como o deslocamento, o respeito à diversidade e a recusa à intolerância. 
O pulo do gato: o texto enxuto e poético associa-se às ilustrações simbólicas, coloridas e ricas em detalhes. Juntos, conseguem potencializar o sentimento de estranhamento da personagem em seu processo de adaptação à nova realidade.




          A resenha de hoje é especial. Por diversos motivos.

          O livro Eloísa e os bichos faz parte do catálogo da [incrível!] Editora Pulo do Gato. Sempre falo, mas, não é esforço algum repetir: se você não conhece o catálogo da editora, por favor, abra uma nova guia aí no seu Google Chrome e acesse imediatamente o site deles. O catálogo INTEIRO é simplesmente espetacular.

          No ano passado, quando estava prestes a inaugurar meu Espaço de Leitura, recebi uma doação $ de amigos para comprar livros para ampliar meu acervo literário. Eu, sem pensar duas vezes, aproveitei a promoção do mês do livro infantil que a Pulo do Gato estava fazendo e me atirei nas compras, utilizando a doação $ para comprara apenas livros do catálogo deles. E, olha, não poderia ter tomado decisão melhor! De lá pra cá, a cada livro que conheço, a cada novo contato que tenho com a Pulo eu simplesmente fico mais e mais fascinado! Eles realizam um trabalho ímpar, primando pela qualidade estética e literária e editando livros que fogem do lugar comum, do usual que se espera quando se pensa em literatura infantil. Os temas dos livros são simplesmente geniais e as edições primorosamente bem elaboradas. Sou fã incondicional!

          Bom, dito isso [rs], vamos ao que interessa. Comprei Eloísa e os bichos nessa “remessa” no ano passado e agora, mais precisamente no mês de Maio, o livro enviado pelo Clube de Leitores da A Taba foi precisamente Eloísa e os bichos. Assim que o recebi decidi de imediato que realizarei um sorteio [o primeiro do meu Instagram, já estou organizando o próxima, segue lá @helderguastti] para poder compartilhar o livro com outras pessoas e fazer essa história linda alcançar e tocar outros, da mesma maneira que me tocou.

          Eloísa e os bichos fala, poeticamente, sobre mudanças, adaptações, medos, diversidade… é um livro tão atual! Com um contexto tão real que é IMPOSSÍVEL não se envolver e emocionar.

          No livro somos apresentados à Eloísa que nos conta como está se sentindo em sua “nova vida”, com companheiros desconhecidos e estranhos, fazendo-a se sentir realmente um bicho fora do lugar. Eloísa e seu pai estão numa cidade nova, com novos pares, nova rotina, novas experiências e o livro, entrelaçando belamente texto e ilustrações, vai nos mostrando os percalços que nossa protagonista enfrenta durante sua nova jornada.

          O livro é lindo, sensível e tocante.

Foto meramente ilustrativa para embelezar o posto - Dia em que José Leone e eu lemos Eloísa

          No sorteio que realizei, por conta do acaso, a sorteada acabou sendo minha irmã que, como eu, também é professora. Ela, após ler o livro, decidiu compartilhá-lo com seus alunos. Deixo abaixo seu relato de experiência de leitura, carregado de afeto e emoção.

"“Eu não sou daqui. Chegamos numa tarde quando eu era bem pequena. Enquanto papai procurava trabalho, eu ia para a escola e me sentia um bicho estranho. “[…]

É assim que começa o livro Eloísa e os bichos, da Editora Pulo do Gato, livro que tive a imensa surpresa de ganhar, através de um sorteio online, coisa rara em minha vida – ganhar algo.

De cara fiquei encantada com as ilustrações simbólicas, coloridas e ricas em detalhes e, assim que acabei de ler pensei: “preciso compartilhar AMANHÃ esse livro com meus alunos”!

Dou aula numa escola municipal, em João Neiva, num bairro de periferia muito carente, carente de tudo. E eles ficam encantados com as histórias diárias e recontos que realizo, creio que através dos livros eles conseguem viajar para uma outra realidade, um outro mundo...

Já no inicio da leitura eles ficaram bastante intrigados com as imagens: “tia eles mudaram para o planeta dos insetos”?, “acho que uma bruxa transformou todo mundo”, “ah, seus bestas, ela deve estar sonhando...” e eu fazendo as intervenções para que o silêncio voltasse a reinar.

Eloísa e os bichos fala sobre diversidade, mudança e adaptação. Situações que meus alunos conhecem de perto. O texto conciso e poético associado às ilustrações simbólicas,  conseguem potencializar o sentimento de estranhamento da personagem em seu processo de adaptação à nova realidade. Com este livro aprendemos que a mudança é uma situação passageira, mas que muito em breve nos sentiremos confortáveis. Eu mesma parecia uma cigana na minha infância, mudei de casa/cidade 7 vezes!

Ao término da leitura eu estava com lágrimas nos olhos ao ver as expressões de cada aluno, e um, o Júlio, estava com lágrimas nos olhos. Eu sem entender tamanha emoção. Foi quando ele levantou o dedo e disse: “Tia, eu também vou me mudar, mas não quero mudar daqui, meu pai vai trabalhar numa fazenda bem longe, e não poderei levar meus cachorros.” [...]

Entre lágrimas, palavras de ânimo, risadas dos mais debochadinhos, Eloísa se fez presente em uma sala de aula, no interior do ES... E me pus a pensar: “Quantas Eloísas existem nesse mundo afora?” Não há quem não tenha se sentido como Eloísa alguma vez na vida e, sabemos, as crianças podem sentir-se assim todos os dias. Afinal, quem está imune a novidades".


*Livro recebido pelo Clube de Leitoras da A Taba


Eloísa e os bichos

Autor: Jairo Buitrago
Número de páginas: 40
Editora: Pulo do Gato 
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Resenha: O pacto do bosque


Sinopse: Todas as noites, os dois irmãos pedem para que a mãe lhes conte a mesma história: a dos coelhinhos que fogem de casa em direção ao bosque e, ao se perderem, encontram uma grande e triste loba, que chora por ter perdido a visão e não poder cuidar dos filhotinhos que estão por nascer. Tocante e poético, o enredo aborda o poder transformador do amor, da amizade e da gratidão. Um livro que instiga a reflexão sobre a natureza das relações entre os diferentes e desconstrói a noção de que elas precisam se basear no conflito.

🐺

     Há algumas leituras que, mesmo antes de realizá-las, você já sabe [ou sente] que serão especiais. Este foi o caso de O pacto do bosque, publicado pela Editora Pulo do Gato 


     Não sei o porque, mas, desde quando vi sua capa pela primeira vez senti uma atração instantânea e eu sabia que, cedo ou tarde, aquele livro deveria fazer parte de meu acervo literário. Adicionei-o a minha lista de desejos imediatamente.


     O tempo foi passando, comprei mais alguns livros da editora, recebi outros por meio de nossa parceria, mas, O pacto do bosque continuava em minha lista, olhando para mim com sua bela e artística capa. Decidi, então, comprá-lo durante a Black Friday, fiz um levantamento prévio a fim de decidir quais livros de minha lista de desejos eu iria comprar e o inclui no montante.


      Porém, como num bom conto de fadas, houve uma pequena e agradável reviravolta: a adorável Júlia Martins, responsável pelo contato entre a editora e os parceiros, enviou-me um e-mail perguntando se havia algum livro específico no extenso [e incrível!] catálogo da editora que eu gostaria de receber em especial. E não deu outra! Imediatamente respondi dizendo que o escolhido era: O pacto do bosque.


     Bom, o livro chegou e, para minha surpresa, superou TODA e QUALQUER expectativa que eu havia criado para com ele!


       O livro é incrivelmente lindo. O texto é de uma leveza e sensibilidade capazes de comover e envolver leitores de qualquer idade.


      As ilustrações funcionam como verdadeiros ímãs, atraindo seus olhos para toda a extensão das páginas, fazendo-os percorrem as dimensões do papel analisando, observando e se deslumbrando com o traçado assombrosamente mágico de Beatriz Martin Vidal. Percorri o livro inteiro me deliciando com as ilustrações e com uma sensação de familiaridade que não sabia ao certo do que se tratava, até chegar ao final do livro e ver que a ilustradora também ilustrou um dos livros mais lindos [e experiências mais fantásticas de leitura que já tive em minha vida como professor] que já li na vida: Íris - Uma despedida [confira o relato de minha experiência de leitura deste livro clicando aqui]!


          Uma das coisas que mais me emocionaram, de imediato, foi a maneira com que o livro se inicia [tão semelhante aos momentos que vivo aqui em casa, em meu Espaço e vivi durante meus anos de trabalho em sala de aula]: a mãe bem juntinha às crianças, com elas aninhadas num momento de aconchego e intimidade afetuosa para o momento da história antes de dormir. Achei muito bacana e me relacionei completamente, pois, muitos foram os momentos que vivi assim, deitado, com os “guris” sob meus braços, aconchegados como se fôssemos uma família de passarinhos, bem atentos para ouvir histórias que, muitas vezes, como no caso de Paula e Gustavo, eram repedidas.
         

          Em O pacto do bosque todas as noites as crianças, Paula e Gustavo, pedem a sua mãe para contar a mesma história. A mãe conta a história da trégua envolvendo lobos e coelhos que, devido a certo acontecimento no bosque, tornaram-se amigos. No livro há uma “história dentro da história”. Acompanhamos a mãe contar a história dos dois coelhinhos irmãos, Orelhinha [que a tudo ouvia com suas grandes e poderosas orelhas] e Lambe-Lambe [que, por ser filhotinho, tudo lambia] que, apesar de terem ouvido sua mamãe coelha dizer que não deveriam entrar no bosque, um dia a desobedeceram e partiram para uma inesperada aventura em meio aos perigos que os cerceavam.


          Dentro do bosque os dois coelhinhos seguem tranquilamente, sem se atentaram a o quão dentro do bosque estavam se enfiando até que se dão conta de uma coisa assombrosa: estavam perdidos! Porém, mesmo sem saber como voltar para casa e com a escuridão imponente sobre eles, os dois irmãos ouvem um grunhido, um soluçar acompanhado de um choro. Os dois, impetuosos e aventureiros, dirigem-se até a origem do som e se deparam com uma loba prenha, com os olhos cobertos por lama, dizendo que havia ficado cega e estava desesperada por não saber se conseguiria cuidar de seus filhotes nesta situação.


O coelhinho Lambe-Lambe, que a tudo lambia, vendo as lágrimas escorrendo pelos olhos da loba aproxima-se e passa a lamber seus olhos removendo, assim, todo o barro e lama que havia sobre os olhos da loba que, imediatamente, volta a enxergar. E assim a loba, emocionando-se por ter sido salva de sua situação precária, acolhe os dois coelhos e os mantém aquecidos durante a noite, levando-os para casa na manhã do outro dia.


          E, assim, instaurou-se o pacto do bosque. Os lobos passaram a acreditar que a saliva dos coelhos é mágica e, por isso, nunca mais deveriam lhe fazer mal.


          Vale ressaltar que as ilustrações, enquanto acompanhamos a aventura de Orelhinha e Lambe-Lambe pelo bosque, retratando os dois personagens de maneira muito semelhante às duas crianças que ouvem atentamente a mãe contar-lhes a história na cama. Os coelhinhos são, na verdade, as duas crianças fantasiadas. O que dá um ar muito mais lúdico e nos faz ouvir e acompanhar a história como se nós leitores fôssemos crianças como Paula e Gustavo, que nos inserimos e somos representados pelos personagens que acompanhamos.


No final do momento de leitura, Paula pergunta à sua mãe se realmente havia mágica ou se o que havia acontecido era apenas a remoção do barro que estava sobre os olhos da loba. A mãe, poeticamente responde:

“Bem, querida, quem há de saber o que aconteceu? [...]  Na realidade, o que curou foi o amor.”


          Li o livro para meu aluno José Leone e, ao final da leitura, enquanto conversávamos, perguntei o que ele achava que de fato tinha acontecido. Se havia magia nos pequenos coelhos ou se apenas o acaso havia acontecido, com Lambe-Lambe removendo o barro dos olhos da loba. Ele, com a sensibilidade mágica e poética de uma criança me respondeu: “MAS É CLARO QUE A LÍNGUA DELE ERA MÁGICA!”.


          Pois é, O pacto do bosque é tudo aquilo e muito mais do que eu esperava. Uma fábula que trata sobre o amor, infância, coragem e amizade. Terminei a leitura com um sorriso bobo nos lábios, com os olhos brilhando e me enxergando completa e inteiramente na mãe que, ao observar seus filhos adormecerem, pensou que o amor era mesmo inexplicável…


*Livro recebido em parceria com a Editora Pulo do Gato 


O pacto do bosque


Autor: Gustavo Martín Garzo
Número de páginas: 32 páginas
Editora: Pulo do Gato 
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Experiência de leitura: Deu zebra no A B C


Sinopse: Esse divertido “abichodário” traz uma sequência de animais que interage das maneiras mais inusitadas. A lista passa pelas 26 letras do alfabeto e animais de diferentes espécies e tamanho: do camelo que come a couve do dromedário, ao ornitorrinco que fica de olho nos ovos da pata, até chegar ao urso que urra assustando a vaca... Após a última letra, os animais que ficaram de fora do livro protestam com o autor, o que provoca um desfecho inesperado e o convite a uma nova leitura.

🐴🐮🐴

          Recebi o livro Deu zebra no A B C há um tempinho, mas, queria realizar uma resenha diferenciada para ele.


          O recebimento do livro já foi um pouco diferente: o recebi um dia antes de iniciar os trabalhos pedagógicos com meu aluno José Leone que está em período inicial de alfabetização. O livro não poderia ter chegado em momento mais oportuno!


          Trabalhei-o com José, realizando escrita de listas e debatendo sobre os animais que eram conhecidos por ele ou não.


          O livro Deu zebra no A B C apesar de possuir uma proposta “simples” [para cada letra do alfabeto há um animal que vai se ligando ao próximo de alguma maneira divertida] é muito rico em possibilidades de intervenção e trabalho pedagógico. Especialmente se considerarmos as crianças que estão em fase de apropriação do universo da escrita.


          Uma prática bem comum e constante nos trabalhos para com os alunos em fase de alfabetização é a escrita de listas e, com este livro, pode-se desenvolver grandes feitos, pois, além dos animais que representam cada uma das letras do alfabeto, ao final do livro o autor ainda nomeia mais alguns animais, ampliando, assim, o repertório das crianças.


          Além de ter trabalhado Deu zebra no A B C com meu aluno José Leone, muitas crianças aqui do Espaço de Leitura tiveram contato com o livro, pois, assim que ele chegou deixei-o em destaque na estante. As crianças manusearam o livro e, cada uma delas, ia debatendo, nomeando e identificando quais animais conheciam ou não. Foi maravilhoso!



          Deixo abaixo o relato de Tia Rogéria que, assim como eu, também trabalho com o livro, utilizando-o para agregar valor e enriquecer seu planejamento durante o desenvolvimento de um projeto com sua turma do Grupo IV:


          "No decorrer do segundo semestre, o Grupo IV da CMEB José Mambrini, localizada no Bairro Mambrini, em Jacupemba, município de Aracruz, ES, decidiu desenvolver o Projeto “Conhecendo os animais”.


Inicialmente, nas rodas de conversa, socializávamos com as crianças os animais domésticos que cada um conhecia e que conviviam. Como nossa escola é rural, vários animais fizeram parte de nossa lista e as crianças já foram citando animais selvagens, aéreos e aquáticos. Com o prosseguimento do projeto, envolvendo pesquisa com familiares, gravuras de animais de todos os tipos e, como tivemos boa parceria da família com os recortes de figuras de animais, decidimos fazer um alfabeto com os animais. Foi grande a expectativa das crianças ao selecionar as letras do alfabeto com as figuras que tinham em mãos e quais faltavam...


          Selecionamos alguns livros que retratavam a vida dos animais e, entre eles estava o Deu zebra no ABC escrito por Fernando Vilela, publicado pela Editora Pulo do Gato e emprestado do Espaço de Leitura Confabulando, fundado pelo escritor Helder Guastti. As crianças ficaram maravilhadas, envolvidas, aguardando cada animal que ia surgir entre as páginas e cada graça que cada um fazia com o próximo animal citado pelo autor... Falaram que não existia animal com a letra Q e, ao ver o quati na imagem do livro e algumas imagens mostradas no LIED da escola, puderam visualizar melhor esse animalzinho. Eu falei para elas que nunca tinha ouvido falar do wombat, nem do yorkshire e só pude descobrir por meio desse livro. Quando terminamos a leitura, fizemos uma lista dos animais que o autor mostrou e uma lista dos que ele não citou no livro. Foi uma experiência muito gratificante! Nosso alfabeto dos animais ficou lindo! Basicamente, todo inspirado no livro “Deu zebra no ABC"!"



*Livro recebido em parceria com a Editora Pulo do Gato


Deu zebra no A B C

Autor: Fernando Vilela
Número de páginas: 40 páginas
Editora: Pulo do Gato 
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Resenha: A rainha das rãs não pode molhar os pés

Lola sentindo-se a própria rainha.

Sinopse: Era uma vez um lago onde viviam rãs que faziam coisas de rãs: saltavam e apanhavam moscas, cochilavam, brincavam com as libélulas. Até que a tranquila rotina é subitamente quebrada por um objeto caído do céu. O imprevisto altera completamente o cotidiano do lago assim que uma das rãs torna-se rainha. E o que faz a rainha das rãs além de não molhar os pés e dar ordens às súditas?

🐸

          Hoje falaremos de um livro que, mais uma vez, considero bem necessário nas salas de leitura: A rainha das rãs não pode molhar os pés.


          De maneira lúdica Davide Cali nos apresenta um enredo que em MUITO se assemelha à realidade da sociedade em que vivemos! A rainha das rãs não pode molhar os pés é uma verdadeira fábula e, com certeza, pode ser muito bem aproveitado em sala de aula [quando o li com meu aluno Victor debatemos por loooongos minutos sobre relações de poder e a “conveniência” por parte das pessoas que querem se “dar bem” às custas das outros].


          No livro conhecemos a população de um lago, inteiramente formada por rãs. Essas rãs levavam sua vida pacata fazendo coisas corriqueiras: saltar, apanhar moscas, cochilar depois do almoço… Enfim, uma vida bem tranquila e monótona, bem condizente com a rotina de uma rã. Porém, durante o verão, um acontecimento mudou completamente a rotina das rãs que viviam no lago. Algo caiu do céu e, a partir daí, a história se desenrola.


          O que caiu do céu foi uma pequena coroa e, imediatamente, a rã que subiu à superfície do lago com ela na cabeça, foi nomeada rainha. A rainha cercou-se de fiéis conselheiros que a diziam o que fazer e como agir, dando ordens às outras rãs, estabelecendo limites e classes sociais, onde uns passaram a ter privilégios [a rainha e seus conselheiros] e outros passaram a servir.


          O livro é BÁRBARO porque brinca com um tema político de maneira tão sutil e tão fantástica que você se diverte e, ao mesmo tempo, reflete sobre como em nosso universo essas coisas são tão parecidas com o que vemos na história.


          A rainha rã passa a não conversar mais com as outras rãs e sequer molha mais seus pés!


          Porém, cria-se um concurso de saltos, com o intuito de divertir a rainha. Todas as rãs saltam, mergulham, dão piruetas e, ao final, espera-se que a rainha das rãs dê o maior e mais incrível dos saltos. Quando ela o faz… retorna à superfície sem a sua coroa! E as outras rãs IMEDIATAMENTE passam a trata-la como igual, quer dizer, começam até a destrata-la, pois, ela tenta ordenar que elas procurem sua coroa. Mas é tentativa é em vão.


          A rainha das rãs não pode molhar os pés é um livro a ser apreciado. Ele diverte e encanta [as ilustrações são BELÍSSIMAS], mas, a meu ver, sua principal qualidade é que consegue retratar relações de poder e política de maneira lúdica, transformando-se numa verdadeira fábula moderna.


          Vale a pena ser comprado, emprestado, lido, trabalhado e discutido. Com certeza renderá bons e longos debates com os pequenos [e grandes também!].



          Mais uma PRECIOSIDADE da Editora Pulo do Gato.


A rainha das rãs não pode molhar os pés

Autor: Davide Cali
Número de páginas:
Editora: Pulo do Gato 
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Resenha: Diário de Blumka



Sinopse: Blumka, a autora deste diário, vive na grande casa, junto com o Doutor Korczak, a Senhora Stefa e 200 crianças órfãs judias. Zygmus, que devolveu a liberdade a um peixe; Reginka, que enchia de luz as noites mais escuras com suas histórias; Pola, que decidiu cultivar uma ervilha em seu próprio ouvido; Chaim, que foi a júri por destruir um formigueiro; o pequeno Pedrinha, que ajudou a descarregar a carroça de carvão com seu penico... Blumka escreve sobre todos em seu diário, e, quando lhe faltam palavras, ela desenha. Até o dia em que a Guerra começa... e o diário é interrompido. Mas sua história fica registrada para sempre... 



          Os livros da Editora Pulo do Gato são peculiares em diversos aspectos. Sempre que recebo ou compro um livro do catálogo da editora tenho a certeza de ter em minhas mãos uma obra que resultará em vários debates e discussões e que, com certeza, expandirá os limites do que se espera de uma obra literária de qualidade.


          Fiquei muito contente ao ver que o livro a ser enviado no mês de outubro pelo Clube de Leitores da A Taba era um livro da Editora Pulo do Gato.


          Diário de Blumka inicialmente me chamou a atenção por dois motivos: o trabalho gráfico da capa [mais uma das peculiaridades da Pulo do Gato que oferece obras em diversas formas e tamanhos, com papéis de excelente qualidade e ilustrações que compõem obras fantásticas, fugindo do “lugar comum” que tanto encontramos nas obras infantis] e o título. Lendo o título você consegue ter uma ideia do que esperar da obra [impossível não criar um link com O Diário de Anne Frank].


          O livro, escrito por Iwona Chmielewska, une ficção a acontecimentos verídicos, o que nos permite mergulhar no universo do Doutor Korczak e suas crianças. As descrições dos “personagens” que compõem o orfanato são tão delicadas e de uma maneira tão real, soando mesmo como se uma criança nos estivesse contando os causos e características de cada um. Conseguimos nos familiarizar e nos relacionar com cada um dos personagens e suas peculiaridades.


          Mas, a meu ver, o “ponto alto” do livro são as descrições e registros a respeito do Doutor. Não pude deixar de me emocionar e me sentir completamente APAIXONADO por ele, pois, vi muito de mim no que li sobre ele.


“O Doutor sempre nos fala que toda criança tem o direito de guardar para si mesma todos os seus sonhos e os seus segredos. E ele também nos diz que a verdade sempre deve ser contada para as crianças.”
[páginas 40 e 41]


O trabalho que tento realizar e as mudanças que busco alcançar para com minhas crianças é totalmente embasado na afetividade e, lendo o Diário de Blumka, pude notar que o trabalho do Doutor era desta mesma maneira. A leitura foi extremamente emocionante para mim porque me enxerguei nele, no trato dele para com as crianças, no RESPEITO e valorização das características próprias da infância e, principalmente, pelo fato de ele NÃO SUBESTIMAR suas crianças. E isso é fantástico!


É muito bom encontrar um personagem onde você consegue ver e identificar tantas características maravilhosas e, ainda por cima, sentir-se mais inspirado para continuar e seguir em frente fazendo um trabalho transformador, visando as mudanças positivas na vida das crianças.


“O Doutor nos ensinou que as meninas e os meninos têm os mesmos direitos e podem fazer as mesmas coisas.”
[página 47]


Meu trecho favorito, que aqueceu meu coração [e que eu achei a “minha cara”] é:

“O Doutor sempre nos deixa fazer bagunça e barulho. Proibir uma criança de ser criança, ele diz, é como ordenar que seu coração pare de bater”
[página 59]


Isso é tão lindo e poético e cheio de vida que fez meus olhos marejarem enquanto eu sorria bobamente rememorando minhas próprias experiências com meus pequenos.


Diário de Blumka, como todo o catálogo da Editora Pulo do Gato, é uma obra ESSENCIAL. Rica em todos os aspectos, de uma beleza e leveza que farão todos os corações se aquecerem. Especialmente em tempos como estes em que estamos vivendo, um livro como Diário de Blumka se torna FUNDAMENTAL para podermos propor um debate franco com as crianças sobre todos os aspectos negativos que já ocorreram na história da humanidade e, principalmente, pelas discrepâncias que vêm acontecendo na atualidade. Por meio da história de Blumka e das crianças do Doutor Korczak você pai, tio, avô, educador poderá conversar com seu pequeno de uma maneira leve, mas, completamente profunda sobre “assuntos delicados”, porém, indispensáveis para o crescimento pessoal e formação de um cidadão crítico/reflexivo, capaz de [re]pensar sua própria existência e auxiliar para a efetivação de mudanças no meio social em que vive.


Para “fechar com chave de ouro” ao final do livro a editora ainda deixa um recadinho do coração que faz você fechar o livro com um grande sorriso nos lábios:



“A Editora Pulo do Gato dedica este livro a todos os educadores que, como Janusz Korczak, sabem como amar uma criança.”


*Livro recebido no mês de outubro pelo Clube de Leitores da A Taba.

Diário de Blumka

Autor: Iwona Chmielewska
Número de páginas: 72 páginas
Editora: Pulo do Gato  
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Resenha: Um outro país para Azzi


Sinopse: Azzi e seus pais correm perigo. E por isso precisam fugir às pressas, deixando para trás sua casa, seus parentes, seus amigos, suas profissões e sua cultura. Ao embarcarem rumo a um país desconhecido, levam, além da pouca bagagem, a esperança de uma vida mais segura. Azzi terá de enfrentar a saudade que sente da avó e muitos desafios: aprender outra língua, acompanhar a preocupação dos pais, adaptar-se à nova casa e cidade, frequentar a nova escola e fazer novas amizades.



Um outro país para Azzi foi uma grata surpresa enviada pela minha parceira Editora Pulo do Gato ❤ Seguindo a “tradição” das últimas semanas, o tema central do livro casa direitinho com as últimas obras que tenho lido, fugindo daquela usual “água com açúcar” que muitas editoras propõem para os pequenos.


Na obra, toda representada por meio de quadrinhos [belissimamente ilustrados e coloridos, dialogando diretamente com os textos], conhecemos Azzi uma menina que vive com sua família num país que está em guerra [uma boa sacada da autora foi não delimitar exatamente qual o país em que Azzi e sua família viviam, fazendo, assim, com que o leitor divague em sua própria imaginação e perceba que mudanças e adaptações são dinâmicas que ocorrem na vida de TODOS, independentes de onde vivem e como vivem]. Por conta dos perigos da guerra,  a família de Azzi é obrigada a se mudar, deixando a vovó para trás, e este é o ponto de partido da história.


Acompanhamos todo o processo de adaptação de Azzi e seus familiares no novo país em que chegam. A dificuldade em entender a língua, a diferença cultural e a ausência da vovó permeiam essa nova realidade vivida pela menina que, pouco a pouco, vai se adaptando a nova realidade, transformando-se e crescendo enquanto ser humano.


A história é bela, completamente ATUAL e muito envolvente. Já li o livro três vezes, uma vez sozinho, quando chegou, uma vez com as crianças aqui no Espaço de Leitura e mais uma vez agora antes de resenhá-lo. É incrível como você se pega refletindo internamente sobre a atualidade durante a leitura e sobre como as pessoas conseguem sobreVIVER em ambientes assim.


Um outro país para Azzi é um livro que trata sobre a tenacidade do ser humano. Sua habilidade de sobreviver às vicissitudes da vida e a persistência perante os obstáculos que se sobrepõem em sua caminhada pessoal.


 Aqui no Espaço de Leitura o livro foi muito bem recebido [vale ressaltar que a edição é lindíssima, o livro é em capa dura e belamente ilustrado]. Uma criança, ao pegar o livro nas mãos e folheá-lo, disse que “com certeza esse aqui deve tratar sobre exílio e refugiados”, fiquei maravilhado quando ele falou isso, pois, nós ainda não havíamos sequer iniciado a leitura. Após a leitura tivemos um longo debate sobre as diferentes realidade existentes ao redor do globo terrestre, a gratidão que devemos sentir para com nossa própria realidade que, apesar de estar longe do ideal, é muito mais “aceitável” que aquelas vivenciadas pelos países em guerra e, também, sobre como o ser humano é capaz de se adaptar e reinventar e sobreviver a tudo e qualquer coisa negativa que encontra pelo caminho.


Como já disse em outras resenhas, em minha opinião, uma boa obra literária é aquela que instiga, mexe com os sentimentos e te faz pensar. Um outro país para Azzi é uma obra assim, capaz de levantar discussões e reflexões internas e externas, pessoais e coletivas. Vale MUITO a pena a leitura!


  • Ganhador do Little Rebels Children's Book Award 2013
  • Aprovado pela Anistia Internacional




*Livro recebido em parceria com a Editora Pulo do Gato.


Um outro país para Azzi

Autor: Sarah Garland
Capa dura
Número de páginas: 36 páginas
Editora: Pulo do Gato 
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