Quero deixar minhas pegadas nas areias do tempo

        

       
        [...]

É engraçado, pois, eu NUNCA havia me imaginado numa situação semelhante a essa antes.


Passei boa parte de minha juventude dizendo que não queria ter filhos e que não me imaginava trabalhando com crianças e blá, blá, blá [somos TÃO imaturos quando jovens, não é mesmo?]


Porém, apesar de acharmos que compreendemos todos os mistérios da vida, as vicissitudes e as viradas que nos deparamos no meio de nossa caminhada conforme vamos crescendo vão nos direcionando a lugares que nunca havíamos cogitado antes e que, assim que os alcançamos, não conseguimos imaginar outros desfechos para nós mesmos senão o que se apresenta à nossa frente.


[..]


Nunca tive uma figura masculina em minha vida.
Nunca tive um pai.
E, não posso negar, isso foi muito bom para mim, pois, minha relação com minha mãe tornou-se muito diferente das relações convencionais [digo isso apenas fazendo comparações com as outras relações mãe-filho que já conheci].


A partir do momento em que ‘cresci’ oficialmente. Após uma daquelas situações que beiram à catástrofe pessoal, mas, que tem um grande poder de realizar mudanças em nossas vidas, me ENCONTREI trabalhando com Educação.


Confesso que esta era uma coisa que eu nunca, NUNCA, nunca tinha cogitado para mim. Pelo contrário! Quando mais novo eu me ‘irritava’ constantemente ao ver mamãe passando pela rua e a cada dois metros atendendo a um ‘oi tia Rogéria’.


Mas, ainda bem que crescemos.
Evoluímos.


Hoje estou prestes a completar dez anos de trabalho na área educacional


Já exerci MUITAS funções diferentes. Mas, em todas elas, o que teve de semelhante foi a dedicação e empenho que depositei.


Sempre procurei fazer tudo o que faço com excelência [perfeccionista que sou, sofri MUITO em minha caminhada pedagógica] e, acima de tudo, com muito AMOR.


Tornei-me o “Tio Helder” e tenho como meta de vida levar alegria aos meus pequenos, semeando afeto e mostrando para eles que as possibilidades de mudanças e aperfeiçoamento pessoal são INFINITAS. Cabe a nós recorrermos a nossa própria essência para nos tornarmos versões melhoradas de nós mesmos.


Tento transmitir serenidade e expor que não há problema algum em errar. Pelo contrário! Nossos erros e tropeços são DETERMINANTES para nosso avanço; basta que abracemos nossas imperfeições e as usemos para seguir em frente [sem ficar se remoendo com muitos “e se...”].


[.]


Não gosto da palavra ‘DOM’.
Muitos conhecidos já a usaram para descrever a minha relação com a educação/pedagogia.
Mas, a meu ver, esta palavra carrega um forte teor religioso. O que não me atrai.


Prefiro dizer que sim, eu NASCI para fazer isso.
Nasci para trabalhar com crianças.
Nasci para mostrar o universo literário para os pequenos [e os grandes!] à minha humilde maneira.
Nasci para abrir as portas de minha casa e torná-la um lar coletivo.
Nasci para ouvir, ‘mais do que’ para falar [apesar de falar bastante!]
Nasci para ser algo melhor do que o que estava escrito e predestinado para mim.


[ ]


Eu me tornei o pai que nunca tive.


“When I leave this world
I'll leave no regrets
Leave something to remember
So they won't forget

I was here
I lived, I loved
I was here
I did, I've done everything that I wanted
And it was more than I thought it would be
I will leave my mark so everyone will know

I was here”

Sobre devaneios e fascínios educacionais



Meu nome é Helder Guastti, sou um professor aqui do município de João Neiva, no Estado do Espírito Santo.


À guisa de ‘desabafo’, vim aqui relatar um pouquinho sobre meu trabalho para você que, mesmo sem conhecer, sinto uma proximidade.


Minha mãe é professora e, por muito tempo, tentei “fugir” deste destino. Confesso que passei um bom tempo de minha juventude sem saber ao certo o que gostaria de fazer em minha vida, mas, isso não vem ao caso. O que vale dizer é que, aos vinte anos, me descobri educador. Tornei-me o “Tio Helder”.


No final do ano de dois mil e quinze me desvinculei do contrato que tinha com a Prefeitura Municipal, a fim de dar um salto no escuro e lançar um livro de minha autoria. Lancei-me sem pensar duas vezes.


O livro foi escrito e construído a partir do meu trabalho com as crianças de um segundo ano e, a fim de prestá-los homenagem, pus os nomes de meus alunos em meus personagens. Passei o ano de dois mil e dezesseis divulgando meu livro nas escolas, realizando contação de histórias, visitas e muitas birutices, aumentando um pouco o alcance de meu trabalho [que antes estava limitado à escola em que eu trabalhava]. Mas, eu queria mais. Eu queria dividir um pouco do amor que sinto pela literatura e pelos livros para mais gente.


Minha mãe e eu passamos muito tempo nos perguntando o que poderíamos fazer para “mudar o mundo” e, após muitos trabalhos desenvolvidos, muitas fantasias costuradas, muitas histórias contadas e uma quantidade descomunal de bolos e lanches compartilhados; resolvemos abrir um Espaço de Leitura em nossa casa, unindo duas das coisas que mais amamos em todo o mundo: crianças e livros!


Nosso Espaço de Leitura está localizado num bairro considerado como periferia, num morro, na comunidade do Bairro de Fátima e toda a comunidade tem se mostrado muito contente e receptiva para com nossas ações e propostas de intervenções culturais.


Nossa inauguração foi no dia 29 de abril de 2017 e, desde esse dia, realizamos ações que envolvem contação de histórias, dança e movimento para as crianças do município de João Neiva – ES.


No Bairro de Fátima, comunidade em que vivemos desde a infância, notamos que não há uma grande comunidade de leitores e sentimos que havia a necessidade de criarmos algo que suprisse as necessidades culturais de nossos pares. Portanto, decidimos abrir as portas de nossa casa e criar o Confabulando – Espaço de Leitura com a missão de fomentar nas pessoas a paixão pelo universo das palavras, estimulando o gosto pela leitura e semeando afeto.


Nossa intenção é de propagar ações culturais que realizarão mudanças positivas na vida das pessoas tendo como principal fundamento a afetividade. Para que essas mudanças possam ocorrer de fato, realizamos mediação de leitura em nossas dependências, empréstimos de livros, contação de histórias e apresentação de dança e movimento, bem como, representações teatrais e algumas oficinas.


Nossa meta é expandir o alcance de nosso trabalho, aumentando nosso acervo e oferta diversificada para toda a comunidade e, também, todo o município.

Queremos TRANSFORMAR a vida das pessoas por meio da leitura e de ações culturais possibilitando, assim, uma expansão do universo letrado, promovendo a integração entre os moradores da comunidade (e do município!) para com o fantástico mundo da literatura.


Nosso Espaço de Leitura já tem gerado benefícios, principalmente para a comunidade do Bairro de Fátima que, por muito tempo, foi “esquecida” pelas autoridades locais.


Com nosso Espaço de Leitura a população da comunidade, especialmente as crianças, tem acesso a livros e literatura de qualidade, intervenções culturais e artísticas e, principalmente, um olhar manso para com elas.


Por meio de nossas ações culturais temos diminuído as distâncias e fronteiras existentes entre a comunidade e o restante do município, pois, hoje, em nossas ações, participam pessoas de vários bairros da cidade quebrando, assim, muitos paradigmas que foram pré-estabelecidos no decorrer dos anos.


Para a equipe de voluntários é um prazer sem precedentes participar de nossos eventos e ações, pois, por meio deles, somos capazes de crescer no âmbito profissional e pessoal. Temo-nos [re]descoberto enquanto seres humanos e cidadãos.


Hoje as pessoas da comunidade do Bairro de Fátima e do município de João Neiva reconhecem que a cultura local existe e está em desenvolvimento e elas fazem parte disso.


Esta “jornada Confabulatória” [como costumo chamar] tem sido EXCEPCIONAL. A cada sorriso, a cada olhar e a cada abraço recebido vou me certificando cada vez mais de que estou no caminho certo, de que a melhor decisão que tomei em minha vida foi ter abraçado a Pedagogia e ter me entregado de corpo e alma.



Hoje, quase dez anos depois de ter me tornado o Tio Helder, tenho a certeza absoluta de que não nasci para ser outra coisa senão isso.

Resenha: O Grúfalo ❤

Lendo "O Grúfalo" para os alunos da EMPEIF "Cavalinho" em visita ao Espaço de Leitura


Sinopse: Usando de astúcia e imaginação, um ratinho vai criando um monstro terrível e assustador, o Grúfalo, e diverte-se espantando seus predadores. Mas qual não é o seu espanto ao ver sua imaginação personificada à sua frente. O Grúfalo, de Julia Donaldson, é uma divertida fábula sobre os poderes da nossa imaginação. As bonitas ilustrações, de Axel Scheffler, complementam a graça do texto e convidam a acompanharmos o ratinho em seu passeio pela floresta.


          Com sabor de clássico, O Grúfalo, escrito pela excepcional Julia Donaldson e ilustrado por Axel Scheffler [dupla que já produziu VÁRIOS livros incríveis, sinônimo de sucesso. Se você tem dúvida do que adquirir para iniciar ou aumentar sua biblioteca/acervo literário, escolha as obras de Julia e Axel] é um daqueles livros que são GARANTIA de diversão para todos [seja para quem está lendo ou para quem está ouvindo].


          O livro estava há MUITO tempo em minha lista de desejos, porém, o adquiri há apenas um mês. Já o conhecia por ter emprestado da Biblioteca, mas, sempre tive a vontade de tê-lo em meu acervo. Aproveitei a I Bienal da Brinque-Book e o adquiri [junto ao livro Carona na vassoura, tamb´me da Julia Donaldson]. Esta foi uma das melhores compras que fiz durante todos esses anos que tenho comprado e adquirido livros infantis.


          O Grúfalo é um livro delicioso de se ler em voz alta. Ele nos apresenta um pequeno ratinho que, utilizando de toda sua sagacidade, consegue se safar de muitas situações difíceis que vivencia enquanto percorre a floresta. Seus predadores o veem como um apetitoso jantar, mas, com bastante calmaria e “sangue frio”, o ratinho consegue dissuadir seus predadores, inventando que um monstro tenebroso [o Grúfalo no caso] está a sua espera para comerem juntos. O ratinho crê veementemente que esse monstro não existe, tanto que, a cada saída espetacular que dá nos predadores ele diz “que bobo, será que ele não sabe que grúfalo não existe?”.


          Até que, seguindo seu caminho, o ratinho se depara com uma criatura que possui as exatas características que ele utilizou para espantar seus predadores e, ao invés de se desesperar e se entregar a seu derradeiro fim [porque o Grúfalo afirma que ratinho é sua comida preferida, especialmente gostosa no meio do pão] ele faz uso de sua inteligência a fim de espantar o temível grúfalo.


          A história é toda contada por um narrador [em terceira pessoa], mas, no decorrer da caminhada do ratinho, enquanto vai se deparando com diferentes predadores, a história passa a ser contada por meio das conversas entre o ratinho com os outros animais.


          Um dos fatores pelos quais considero tão delicioso de se ler e ouvir é que, nos diálogos, ocorre a repetição rimada, o que facilita a memorização das crianças, tornando a narrativa muito dinâmica por fazer uso deste rico recurso de repetição.


          Dentre as milhares de histórias que já li individualmente e, também, com as crianças, O Grúfalo é, sem sombra de dúvidas, uma de minhas favoritas. A cadência e o ritmo da leitura tornam o livro simplesmente encantador e a tenacidade do ratinho para se safar das caóticas situações com que se depara no decorrer da caminhada é extremamente envolvente [você se vê, ao final da leitura, admirando o ratinho mais que tudo nesse mundo]!


O Grúfalo

Autor: Julia Donaldson
Número de páginas: 32 páginas
Editora: Brinque-Book 
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Experiência de leitura: A Fada da Torneira e outros contos


Sinopse: Em todas as ruas de todas as infâncias acontecem histórias fantásticas. A coleção Contos da Minha Rua reúne autores que souberam imaginar histórias que poderiam ter acontecido nas ruas da nossa fantasia e contá-las de maneira simples e maravilhosa. Cada livro trará sempre um ou mais contos, ricos de fantasia e de linguagem, para entretenimento dos pequenos leitores e para o prazer daqueles que têm o raro privilégio de viver o momento mágico de ler para uma criança.


Pense numa leitura envolvente!


Eu AMO livro de contos, por tudo o que eles nos trazem de "diferente".


A fada da torneira e outros é uma leitura deliciosa (especialmente se feita em voz alta!). A começar pelo tamanho, que cabe na palma da mão (pelo menos da minha que é gigantesca), e pelas ilustrações todas com traços delicados e pontilhados, um encanto.


Em relação aos contos, cada um é envolvente a sua maneira. Por aqui o favorito foi “Escubidu, a boneca que sabe tudo”. Rolaram MUITAS risadas, especialmente na parte em que o Sr. Said fica "doente", clamando por bicicletas em todos os estabelecimentos comerciais. A boneca Escubidu, por si só, é uma maravilha! Completamente sagaz e capaz de "se virar nos trinta", nos rendeu bons debates sobre esperteza e sagacidade (e comparações com a boneca Emília de Lobato).


O conto que dá título ao livro, “A fada da torneira”, nos deixou com sentimentos divididos. É um bom conto, não podemos negar, mas, tanto eu quanto Victor (aluno com que compartilhei a leitura) achamos que o desfecho poderia ser diferente, mas, depois de iniciar a leitura do segundo conto (Escubidu, a boneca que sabe tudo) compreendemos que o autor quis fazer um "ligamento" entre um conto e outro, por isso encerrou o conto da Fada da torneira da maneira que o fez. A tragicomédia envolvendo as duas irmãs, tão diferentes em personalidade, nos deixou ao mesmo tempo embasbacados e maravilhados, pois, os personagens "adultos" da história são TERRÍVEIS (e esse é um dos fatores que fazem o conto ser tão envolvente). Sério, ficamos com vontade de denunciar os pais de Maria e Martine ao Conselho Tutelar!



Os contos não são muito longos nem curtos, mas, do tamanho ideal para garantir um bom momento de leitura. O livro possui quatro contos, portanto, dividimos a leitura em dois contos por aula. Gostamos de fazer muitas observações e pontuações após nossas leituras, e com este livro não foi diferente. Debatemos desde a relação pra lá de estranha dos pais oportunistas com as meninas, até enumeramos e imaginamos diferentes desfechos para todos os contos.

*Livro recebido no Clube de Leitores da A Taba no mês de agosto


Resenha Especializada - A Taba

"Geralmente associamos as fadas, os magos, os duendes e outros seres fantásticos a épocas distantes ou realidades paralelas; assim, é excitante pensarmos na acolhida desses seres no mundo em que vivemos. O escritor francês Pierre Gripari permite que vislumbremos essa fantasia por meio das suas histórias cheias de magia, como se elas pudessem acontecer tão próximo de nós, quem sabe até na rua em que moramos. O conto que dá título ao livro é um exemplo disso.Nele, uma fada que há muito tempo habitava uma fonte de águas cristalinas é impelida, nos dias atuais, a percorrer os canos da cidade e, em contato com os moradores das casas dissemina seus encantamentos, despertando a ambição de alguns e levando o desespero a outros. As histórias de Pierre Gripari assustam e divertem, além disso, a edição brasileira conta com uma especialista em figurar seres e mundos mágicos, a ilustradora Cláudia Scatamacchia."



A Fada da Torneira e outros contos

Autor: Pierre Gripari
Número de páginas: 110 páginas
Editora: Martins Fontes
Compre na Amazon clicando aqui

Tia Rogéria, sobre amar a leitura.




Bairro de Fátima. Caixa D’água.

Nasci nesse bairro e sempre vivi aqui. Aqui pude crescer livremente brincando de piques, amarelinhas, caracóis, pular corda e outras brincadeiras que todas as crianças têm direitos a ter. Aqui no morro, não tínhamos medo de nada: nem de saci, lobisomem, mula sem cabeça, bruxas… pois nas mais maravilhosas histórias que meu avô e meu pai contavam, esses personagens existiam e, a cada dia surgia um personagem novo para enriquecer as histórias mirabolantes em minha mente!

Imaginei desde a infância viagens lindíssimas desde as dunas do deserto do Saara, às longínquas terras da África e as praias mais lindas que pudessem ir a minha imaginação... Claro que alcancei todos esses sonhos por meio dos livros!!! Por meio das histórias contadas pelo meu avô e pelas leituras realizadas pelo meu pai!!!

Com meu pai, aos cinco anos eu já conhecia o abecedário e construía frases que ele ensinava e ditava para mim. Com ele, aprendi a ler em um livro grosso “As mais belas histórias” de Gaston Courtois, assim como a literatura de cordel com as histórias de Pedro Malazarte até as fábulas como da tartaruga e a lebre... Os livros mostrados por meu pai e meu avô continham histórias lindíssimas e eu podia sonhar!!! Sonhar alto até onde minha imaginação pudesse ir!!! Era demais!

A leitura tem um grande significado em minha vida: se estava triste, pegava um livro ou escrevia um poema. Se alegre, também escrevia para depois ler! Minha adolescência foi permeada por fotonovelas que me levava a sonhar com príncipes encantados dos contos de fadas misturados aos homens lindos como Alan Dellon e Jhon Waynne dos filmes em tvs preto e branco que assistia escondido dos meus pais na casa dos vizinhos!... Esses homens da tv eram todos tão lindos!!!

Com o passar dos anos, deixava de arrumar a casa para ler uma revista!!! Sempre escondido de minha mãe, pois senão ela rasgava! As leituras feitas à noite, quando ela ia dormir, eram com a lamparina acesa e, no outro dia, as narinas estavam todas escurecidas por causa do querosene que fazia a lamparina permanecer acesa!!! Se tivesse que reviver isso, faria tudo de novo!
Valeu a pena cada leitura realizada, cada conto, fábula, história, texto, jornal, revista lidos em minha vida!!!

Amo a leitura! Adoro ver crianças lendo e construindo saberes por meio da leitura! Adoro ver cada livro que meus filhos e netos leem!

Tia Rogéria

Princesas, bruxas e uma sardinha na brasa: contos de fada para pensar sobre o papel da mulher

Sinopse: Vilã ou heroína? Bruxa, princesa, camponesa, conselheira ou madrasta? Ou todas elas? Nos contos de fadas, as personagens femininas costumam ser entregues em casamento a quem mal conhecem, sofrem muito, não têm direito a dar opinião nem a escolher o seu futuro. E tudo isso só porque nasceram mulheres.
"Princesas, bruxas e uma sardinha na brasa" nos faz refletir sobre essas questões e também nos mostra como os homens podem ser aliados no processo de mudanças. São histórias que divertem, emocionam e ainda nos fazem ver que há muito a ser feito para que as mulheres também sejam donas dos próprios finais felizes.



     Com uma capa completamente autoexplicativa, Princesas, bruxas e uma sardinha na brasa é uma coletânea de contos de fadas para pensar sobre o papel da mulher.


          Antes de falar sobre o livro em si, devo dizer que o escolhi [em parceria com a Editora Biruta], pois, me APAIXONEI perdidamente pelo trabalho da autora Helena Gomes no livro As Aventuras de Sargento Verde [leia a resenha clicando aqui] e fiquei me mordendo de vontade de conhecer mais alguns de seus títulos.


          Em Princesas, bruxas e uma sardinha na brasa não temos apenas histórias de garotas badass e duronas, mas, sim, de garotas e mulheres simples, que conseguem superar as vicissitudes da vida e transformar, de alguma maneira, a vida de quem as rodeia.


          Princesas, bruxas e uma sardinha na brasa é fascinante! As autoras escreveram de maneira tão rica e inteligente os personagens que você se vê completamente envolvido nas tramas de TODOS os contos. Todos são maravilhosos, não teve um fraquinho [o que geralmente encontro em coletâneas de contos].


Completamente envolvente e capaz de levantar várias discussões com os pequenos, Princesas, bruxas e uma sardinha na brasa já ganhou lugar de destaque aqui em meu Espaço de Leitura e, assim como Sargento Verde, é cheio de personagens poderosas e pensantes, que nos fazem sentir muito orgulho do universo feminino.


O livro possui oito contos, todos completamente viciantes [sério, eu DEVOREI o livro], cada um com suas características próprias, que nos apresentam personagens de diversas nuances. Mas, creio que o meu favorito é A Princesa Rã. Nele, o filho mais novo de um rei, a fim de protestar contra as decisões e desejos de seu pai, se casa com uma rã, mas, para sua surpresa, esse animal era na verdade uma fada fugitiva que estava se escondendo de um feiticeiro terrível. Durante todo o casamento dos dois a rã, pouco a pouco, vai conquistando o afeto e o carinho de seu marido, tornando-se amigos e ajudando-o nas mais diversas tarefas [todas lançadas pelo rei e pelas cunhadas]. Durante a leitura do conto vamos vendo um companheirismo sendo desenvolvido e aflorado por entre os dois, de maneira doce e leve. Ao final fiquei com um sorriso no rosto, pois, me cativei completamente por aquela rãzinha e por seu jeito sagaz de lidar com as intempéries propostas por suas concunhadas. De maneira poética e extremamente sensível, a meu ver, o conto pode se tratar de uma representação do amor, não aquele imposto, forçado ou exigido, mas, o amor puro e verdadeiro, onde a cumplicidade se faz presente e a liberdade reina.


Este livro deveria fazer parte do acervo de toda biblioteca, espaço de leitura e afins, pois, ele é ESSENCIAL. Aborda e questiona, de maneira séria e, ao mesmo tempo, divertida, questões que permeiam os padrões [pré]estabelecidos em nossa sociedade. Mesmo tratando-se de um título “infanto-juvenil”, Princesas, bruxas e uma sardinha na brasa é capaz de alcançar leitores de todas as idades, tendo em vista o tema trabalhado e as diversas discussões e debates que a leitura [com certeza] proporcionará.


*Livro recebido em parceria com a Editora Biruta 


Princesas, bruxas e uma sardinha na brasa

Autor: Helena Gomes & Geni Souza
Número de páginas: 132 páginas
Editora: Biruta 
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Resenha: Os Condenados 💀

         
      Sinopse: Danny Orchard conseguiu enganar a morte e ganhou uma segunda chance para viver. Só que ele não voltou do inferno sozinho. Em Os Condenados, Andrew Pyper, autor do fenômeno O Demonologista, explora as conexões de amor e ódio entre irmãos gêmeos, numa história sobrenatural digna de pesadelos.


“O medo clássico tem um novo nome. Andrew Pyper.” 
[Stephen King]

💀

         Vamos dar uma “pausa” nos livros infantis para falar sobre esta DELÍCIA das trevas?


            Percebi que nos últimos meses estava lendo apenas literatura infantil e infanto/juvenil e, por sorte, a fim de retomar para o lado negro da força, encontrei uma promoção maravilhosa da DarkSide Books [aquela editora esplêndida que possui as edições mais caprichadas e incríveis que se possa imaginar {sim, sou babão para com livros em capa dura e design de primeira!}]. Portanto, hoje falarei aqui sobre o VICIANTE: Os Condenados.


            Em Os Condenados somos apresentados a Danny Orchand que há vinte anos passou por uma experiência de quase morte [sobrevivendo a um incêndio], ganhando uma segunda chance para viver. Porém, sua irmã gêmea, Ash, não conseguiu ter o mesmo destino: acabou falecendo durante o incêndio.


            Após esta experiência, Danny tornou-se escritor, conseguindo transformar sua tragédia e experiência num livro que acabou virando um grande sucesso.


            Sua irmã Ash não era uma pessoa boa. Sei que é errado limitar as características entre “bem e mal”, porém, nesse caso, percebe-se que, a todo o momento e a cada verso descrevendo as atitudes e comportamentos de Ash, nota-se que ela era de fato uma pessoa ruim, capaz de cometer atrocidades apenas para se divertir e sentir prazer. Uma espécie de sociopata/dissimulada [que eu, particularmente, adoro!].


            Ash, mesmo depois de morta, permanece a mesma criatura egoísta e sádica que era em vida, porém, agora num nível ainda mais atemorizante, pois, ela está morta! E segue infernizando a vida de Danny que, entre muitas idas e vindas, consegue aos poucos estabilizar sua vida, encontrando uma mulher que ama e desenvolvendo uma família.


            A meu ver o mais incrível de Os Condenados é a maneira com que Andrew Pyper consegue nos “nortear” na história dos gêmeos Orchard. Durante a leitura vamos conhecendo cada vez mais sobre as relações familiares dos Orchard’s  como as desgraças chegaram a família desde o primeiro momento em que os gêmeos nasceram.


            Não quero me aprofundar e ater muito aos detalhes da trama para não estragar a leitura de quem ainda não conhece a obra, mas, para quem curte um bom suspense, daqueles que te prendem desde o primeiro momento, Os Condenados é mais do que indicado!



“Éramos gêmeos fraternos, ainda que você não necessariamente percebesse isso de imediato. [...] Se você nos tivesse conhecido naquela época, chegaria à conclusão de que a vida havia, visivelmente, preferido um de nós em detrimento do outro. No entanto, quando a morte caiu sobre nós, escolheu ela, não eu, mantendo-a em seu domínio e atirando-me de volta para um mundo que, sem a presença da minha irmã, eu mal conseguiria reconhecer.”
[Página 23]


            Danny e Ash, apesar de gêmeos, eram o completo oposto um do outro. Ash, aos olhos dos outros, era perfeita: dona de uma presença desconcertante, ótima aluna, popular, capaz de inebriar os pensamentos de todos com que convivia… porém, era “o mal na forma de gente”. Sua maldade e dissimulação tinham como principal alvo Danny, seu irmão gêmeo.


            Outro fato interessante de Os Condenados é que o autor não se “esquece” dos outros personagens [como acontece em muitas obras], pelo contrário, ele nos mostra o reflexo das atitudes de Ash em seus pais que, pouco a pouco, vão definhando fazendo, assim, com que a família sucumba.


            Assim como em O Demonologista (leia-o também! Apesar de o final não ser dos melhores, o livro em si é uma ótima leitura!), aqui em Os Condenados Andrew Pyper conseguiu novamente escrever um livro arrebatador, que te fará DEVORAR as páginas a fim de descobrir o desfecho de Danny e sua assombração gêmea.


Os Condenados segue a linha de edições impecáveis da DarkSide Books. Em capa dura, o design segue a mesma linha de O Demonologista, porém ao invés do vermelho, temos aqui o preto e dourado. Todos os livros da DarkSide são um deleite visual, daqueles que você pega e admira por vários e vários minutos, sentindo um prazer extremo ao manuseá-los e, também, contemplando-os na estante depois da leitura.



💀

Os Condenados

Autor: Andrew Pyper
Capa dura
Número de páginas: 336 páginas
Editora: DarkSide 
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