Resenha: Adivinha quanto eu te amo


Sinopse: Um coelhinho se esforça para mostrar o amor que ele sente pelo pai. O Coelho Pai entra na brincadeira, mas ambos percebem que não é fácil medir o amor. Esta é uma edição comemorativa dos vinte anos de lançamento do clássico Guess How Much I Love You, que em português recebeu o título Adivinha quanto eu te amo, sucesso entre crianças e adultos do mundo todo.


🐰🐇🐰


     Há alguns livros que possuem o status de clássicos. Seja por sua importância na literatura, pela sua fama, por sua qualidade... Enfim, são diversos os motivos que podem estabelecer um livro como um clássico literário, mas, nós não estamos aqui para esmiuçar esses fatores.


     O livro que trago hoje, no meu ponto de vista, é um verdadeiro clássico da literatura infantil: Adivinha quanto eu te amo. É praticamente impossível alguém que não o conheça. Em muitas escolas, especialmente as de Educação Infantil, há este livro nos acervos. E, também, ele fez parte de uma campanha da Coleção Itaú de livros infantis.


     Em Adivinha quanto eu te amo encontramos o Coelhinho e o Coelho Pai, bem na hora de ir para cama. Antes de se deitar para dormir, o Coelhinho resolve se agarrar firmemente nas longas orelhas do Coelho Pai [para ter certeza de que este realmente estava ouvindo] e começa uma série de "declarações de amor", tentando dimensionar o quanto ama seu pai utilizando seus membros e partes do corpo para tentar "medir" o tamanho de seu amor pelo pai.


     O livro é de uma fofura e sensibilidade que aquecem o coração! A cada virar de páginas o Coelhinho vai dizendo o quanto ama o Coelho Pai [esticando os braços o máximo que podia, virando de ponta-cabeça...] e o pai, a cada declaração, vai expondo para o pequeno filho o quanto também o ama, utilizando as "medidas" prévias que o Coelhinho dá e aumentando-as um pouco mais.


     Este livro nos remete a uma memória afetiva muito especial, pois, me recordo muito da infância de minha sobrinha Ester. E, decidi escrever sobre ele, pois, nesta semana o compartilhei com meu aluno José Leone. Pusemos nossas orelhinhas de coelho, sentamos na varanda em meio às plantas e nos preparamos para ler. Brincamos que nós dois éramos os personagens dos livros, porque, assim como eles, nós dois também nos amamos e somos um pequeno e outro grande. Foi um momento muito fofo, que serviu para estreitar nossos laços afetivos que, a cada dia, vêm se fortalecendo.


     Sou meio bobo, mas, ainda me admiro como e quanto um livro, já tão "antigo" pode surpreender e causar tantos sentimentos bons. Gosto de coisas assim, sabe? Coisas simples, mas, cheias de significados.


     Adivinha quanto eu te amo é daqueles livros para curtir 10, 100, 1000 vezes! Essencial para a formação dos pequenos leitores que, com certeza, se encantarão com a relação pai-filho exposta pelo livro. Tratando o amor de forma poética e extremamente sensível [com ilustrações para lá de encantadoras!], Adivinha quanto eu te amo é um livro NECESSÁRIO no acervo de qualquer biblioteca e espaço de leitura.


Adivinha quanto eu te amo

Autor: Sam McBratney
Número de páginas: 32 páginas
Editora: WMF Martins Fontes
Compre na Amazon clicando aqui

Tia Rogéria: sobre memórias afetivas e emoção


Sabe aquele momento em que você para um pouco e pensa na sua vida e vê como Deus é maravilhoso e Te ama, mesmo sem você merecer...


Recordando o passado, relembrando tudo o que vivi, o que sofri, o quanto chorei, os sonhos, anseios, dores, me vejo numa casinha de friso, com piso de tábuas bem enceradas, com um total de 30 metros quadrados e 3 filhos, lá em 1982, quando ainda nesse período do ano, montava a árvore de Natal com as crianças, enfeitando com muita luz e brilho e adorava ver seus olhinhos brilhando (apesar da simplicidade dos presentinhos...). Sinto-me privilegiada em estar hoje (2017), graças a Deus, junto com meu filho Helder, ampliando nosso “cantinho”, com piso em todo o terreno, área coberta para atender nossas crianças e todos os que quiserem prestigiar nosso trabalho no Espaço de Leitura – Confabulando...


Falar de coisas assim me faz chorar emocionada com a bondade de Deus e o quanto Ele é misericordioso! Faz-me lembrar de minha querida irmã Rô que, tenho certeza, estaria nos apoiando a cada momento, a cada conquista incentivando esse projeto que tem tudo para dar certo! Está dando muito certo!!!


E creio que logo, com a ajuda de Deus e de nossos queridos amigos, estaremos “reinaugurando” esse espaço tão maravilhoso na vida das nossas crianças do morrão!!!


 Tia Rogéria

Resenha: A raposa amiga - A história de uma raposa diferente



Sinopse: Arnoldo Raposo amava galinhas. Ao contrário de sua família, jamais pensaria em caçá-las. Ele passava horas admirando as barulhentas aves no quintal, ciscando aqui e acolá. Certo dia, enquanto passeava pela fazenda, ele viu uma placa na porta da Sra. Galinácea: ela precisava de uma babá urgentemente! Arnoldo não perdeu tempo e se candidatou. E logo ele tinha seis lindos e fofos pintinhos para cuidar e não poderia estar mais feliz! Até que uma noite seus parentes resolveram caçar na fazenda...E agora? O que é que vai acontecer? Arnoldo conseguirá proteger suas amigas? E os pintinhos ficarão a salvo? Venha conhecer a babá raposa e descubra o final dessa divertida história! Em um livro divertido, colorido e emocionante, as crianças vão aprender que a verdadeira amizade pode vir de onde menos se espera e que as diferenças só são um problema se as enxergarmos assim.

🦊

          Eu adoro quando livros aparentam ser bem simples, mas, na verdade proporcionam grandes momentos de leitura!


          Lembro-me vividamente de quando comprei A raposa amiga. Foi lá em dois mil e treze, eu voltava de um estágio da faculdade e encontrei o livro numa lojinha no município onde estudava. Encantei-me de imediato pelo título e pela capa.


          Em A raposa amiga conhecemos Arnoldo Raposo que AMAVA galinhas. Mas, diferentemente de sua família, ele não gostava delas para comer e sim como amigas!


          Arnoldo Raposo passava horas e horas a fio observando as aves ciscarem aqui e acolá e ficava fascinado com elas colocando ovos por toda a parte da fazenda. Mas, a família de Arnoldo tinha pensamentos completamente opostos aos seus. A mamãe Raposo, o papai Raposo, Lucy e Dênis [seus irmãos] amavam comer galinhas, as consideravam extremamente deliciosas e consideravam uma verdadeira tradição familiar a caça de galinhas para consumo próprio.


          Após passar semanas num verdadeiro “curso intensivo para roubar galinhas da fazenda”, onde a mamãe Raposo mostrou como rastejar pela floresta, entrar no galinheiro sem fazer barulho, espremer-se para passar por um buraco, agarrar uma ou duas galinhas sonolentas e fugir correndo como se não houvesse amanhã antes que o fazendeiro pudesse pegá-los, Arnoldo Raposo decidiu, tristemente, que era hora de sair de casa.


          A cada virar de páginas vamos acompanhando a jornada de Arnoldo que, imediatamente após sair de casa, conseguiu um emprego de babá de pintinhos [emprego este conseguido depois de convencer a Sra. Galinácea de que tinha condições de cuidar de seus pequenos filhotes].


          A raposa amiga é um livro encantador. Daqueles para ler em voz alta com os pequenos e se deliciar com as ilustrações fofíssimas! Nesta semana o li com meu aluno José Leone e, para além da leitura, conversamos sobre animais e suas características, realizamos contagem com os bichinhos da fazenda e, ainda, treinamos a leitura de palavras simples!



O desfecho do livro é uma gracinha. Um verdadeiro final feliz. A raposa amiga é a história de uma raposa diferente que, contornando as tradições familiares e o que se esperava dela, assume uma postura diferente e encontra novos amigos. Bem como uma nova família!


A raposa amiga - A história de uma raposa diferente


Autor: Georgie Adams
Número de páginas: 28 páginas
Editora: Fundamento
Compre na Amazon clicando aqui

Experiência de leitura: Deu zebra no A B C


Sinopse: Esse divertido “abichodário” traz uma sequência de animais que interage das maneiras mais inusitadas. A lista passa pelas 26 letras do alfabeto e animais de diferentes espécies e tamanho: do camelo que come a couve do dromedário, ao ornitorrinco que fica de olho nos ovos da pata, até chegar ao urso que urra assustando a vaca... Após a última letra, os animais que ficaram de fora do livro protestam com o autor, o que provoca um desfecho inesperado e o convite a uma nova leitura.

🐴🐮🐴

          Recebi o livro Deu zebra no A B C há um tempinho, mas, queria realizar uma resenha diferenciada para ele.


          O recebimento do livro já foi um pouco diferente: o recebi um dia antes de iniciar os trabalhos pedagógicos com meu aluno José Leone que está em período inicial de alfabetização. O livro não poderia ter chegado em momento mais oportuno!


          Trabalhei-o com José, realizando escrita de listas e debatendo sobre os animais que eram conhecidos por ele ou não.


          O livro Deu zebra no A B C apesar de possuir uma proposta “simples” [para cada letra do alfabeto há um animal que vai se ligando ao próximo de alguma maneira divertida] é muito rico em possibilidades de intervenção e trabalho pedagógico. Especialmente se considerarmos as crianças que estão em fase de apropriação do universo da escrita.


          Uma prática bem comum e constante nos trabalhos para com os alunos em fase de alfabetização é a escrita de listas e, com este livro, pode-se desenvolver grandes feitos, pois, além dos animais que representam cada uma das letras do alfabeto, ao final do livro o autor ainda nomeia mais alguns animais, ampliando, assim, o repertório das crianças.


          Além de ter trabalhado Deu zebra no A B C com meu aluno José Leone, muitas crianças aqui do Espaço de Leitura tiveram contato com o livro, pois, assim que ele chegou deixei-o em destaque na estante. As crianças manusearam o livro e, cada uma delas, ia debatendo, nomeando e identificando quais animais conheciam ou não. Foi maravilhoso!



          Deixo abaixo o relato de Tia Rogéria que, assim como eu, também trabalho com o livro, utilizando-o para agregar valor e enriquecer seu planejamento durante o desenvolvimento de um projeto com sua turma do Grupo IV:


          "No decorrer do segundo semestre, o Grupo IV da CMEB José Mambrini, localizada no Bairro Mambrini, em Jacupemba, município de Aracruz, ES, decidiu desenvolver o Projeto “Conhecendo os animais”.


Inicialmente, nas rodas de conversa, socializávamos com as crianças os animais domésticos que cada um conhecia e que conviviam. Como nossa escola é rural, vários animais fizeram parte de nossa lista e as crianças já foram citando animais selvagens, aéreos e aquáticos. Com o prosseguimento do projeto, envolvendo pesquisa com familiares, gravuras de animais de todos os tipos e, como tivemos boa parceria da família com os recortes de figuras de animais, decidimos fazer um alfabeto com os animais. Foi grande a expectativa das crianças ao selecionar as letras do alfabeto com as figuras que tinham em mãos e quais faltavam...


          Selecionamos alguns livros que retratavam a vida dos animais e, entre eles estava o Deu zebra no ABC escrito por Fernando Vilela, publicado pela Editora Pulo do Gato e emprestado do Espaço de Leitura Confabulando, fundado pelo escritor Helder Guastti. As crianças ficaram maravilhadas, envolvidas, aguardando cada animal que ia surgir entre as páginas e cada graça que cada um fazia com o próximo animal citado pelo autor... Falaram que não existia animal com a letra Q e, ao ver o quati na imagem do livro e algumas imagens mostradas no LIED da escola, puderam visualizar melhor esse animalzinho. Eu falei para elas que nunca tinha ouvido falar do wombat, nem do yorkshire e só pude descobrir por meio desse livro. Quando terminamos a leitura, fizemos uma lista dos animais que o autor mostrou e uma lista dos que ele não citou no livro. Foi uma experiência muito gratificante! Nosso alfabeto dos animais ficou lindo! Basicamente, todo inspirado no livro “Deu zebra no ABC"!"



*Livro recebido em parceria com a Editora Pulo do Gato


Deu zebra no A B C

Autor: Fernando Vilela
Número de páginas: 40 páginas
Editora: Pulo do Gato 
Compre na Amazon clicando aqui

Resenha: A rainha das rãs não pode molhar os pés

Lola sentindo-se a própria rainha.

Sinopse: Era uma vez um lago onde viviam rãs que faziam coisas de rãs: saltavam e apanhavam moscas, cochilavam, brincavam com as libélulas. Até que a tranquila rotina é subitamente quebrada por um objeto caído do céu. O imprevisto altera completamente o cotidiano do lago assim que uma das rãs torna-se rainha. E o que faz a rainha das rãs além de não molhar os pés e dar ordens às súditas?

🐸

          Hoje falaremos de um livro que, mais uma vez, considero bem necessário nas salas de leitura: A rainha das rãs não pode molhar os pés.


          De maneira lúdica Davide Cali nos apresenta um enredo que em MUITO se assemelha à realidade da sociedade em que vivemos! A rainha das rãs não pode molhar os pés é uma verdadeira fábula e, com certeza, pode ser muito bem aproveitado em sala de aula [quando o li com meu aluno Victor debatemos por loooongos minutos sobre relações de poder e a “conveniência” por parte das pessoas que querem se “dar bem” às custas das outros].


          No livro conhecemos a população de um lago, inteiramente formada por rãs. Essas rãs levavam sua vida pacata fazendo coisas corriqueiras: saltar, apanhar moscas, cochilar depois do almoço… Enfim, uma vida bem tranquila e monótona, bem condizente com a rotina de uma rã. Porém, durante o verão, um acontecimento mudou completamente a rotina das rãs que viviam no lago. Algo caiu do céu e, a partir daí, a história se desenrola.


          O que caiu do céu foi uma pequena coroa e, imediatamente, a rã que subiu à superfície do lago com ela na cabeça, foi nomeada rainha. A rainha cercou-se de fiéis conselheiros que a diziam o que fazer e como agir, dando ordens às outras rãs, estabelecendo limites e classes sociais, onde uns passaram a ter privilégios [a rainha e seus conselheiros] e outros passaram a servir.


          O livro é BÁRBARO porque brinca com um tema político de maneira tão sutil e tão fantástica que você se diverte e, ao mesmo tempo, reflete sobre como em nosso universo essas coisas são tão parecidas com o que vemos na história.


          A rainha rã passa a não conversar mais com as outras rãs e sequer molha mais seus pés!


          Porém, cria-se um concurso de saltos, com o intuito de divertir a rainha. Todas as rãs saltam, mergulham, dão piruetas e, ao final, espera-se que a rainha das rãs dê o maior e mais incrível dos saltos. Quando ela o faz… retorna à superfície sem a sua coroa! E as outras rãs IMEDIATAMENTE passam a trata-la como igual, quer dizer, começam até a destrata-la, pois, ela tenta ordenar que elas procurem sua coroa. Mas é tentativa é em vão.


          A rainha das rãs não pode molhar os pés é um livro a ser apreciado. Ele diverte e encanta [as ilustrações são BELÍSSIMAS], mas, a meu ver, sua principal qualidade é que consegue retratar relações de poder e política de maneira lúdica, transformando-se numa verdadeira fábula moderna.


          Vale a pena ser comprado, emprestado, lido, trabalhado e discutido. Com certeza renderá bons e longos debates com os pequenos [e grandes também!].



          Mais uma PRECIOSIDADE da Editora Pulo do Gato.


A rainha das rãs não pode molhar os pés

Autor: Davide Cali
Número de páginas:
Editora: Pulo do Gato 
Compre na Amazon clicando aqui

Resenha: Diário de Blumka



Sinopse: Blumka, a autora deste diário, vive na grande casa, junto com o Doutor Korczak, a Senhora Stefa e 200 crianças órfãs judias. Zygmus, que devolveu a liberdade a um peixe; Reginka, que enchia de luz as noites mais escuras com suas histórias; Pola, que decidiu cultivar uma ervilha em seu próprio ouvido; Chaim, que foi a júri por destruir um formigueiro; o pequeno Pedrinha, que ajudou a descarregar a carroça de carvão com seu penico... Blumka escreve sobre todos em seu diário, e, quando lhe faltam palavras, ela desenha. Até o dia em que a Guerra começa... e o diário é interrompido. Mas sua história fica registrada para sempre... 



          Os livros da Editora Pulo do Gato são peculiares em diversos aspectos. Sempre que recebo ou compro um livro do catálogo da editora tenho a certeza de ter em minhas mãos uma obra que resultará em vários debates e discussões e que, com certeza, expandirá os limites do que se espera de uma obra literária de qualidade.


          Fiquei muito contente ao ver que o livro a ser enviado no mês de outubro pelo Clube de Leitores da A Taba era um livro da Editora Pulo do Gato.


          Diário de Blumka inicialmente me chamou a atenção por dois motivos: o trabalho gráfico da capa [mais uma das peculiaridades da Pulo do Gato que oferece obras em diversas formas e tamanhos, com papéis de excelente qualidade e ilustrações que compõem obras fantásticas, fugindo do “lugar comum” que tanto encontramos nas obras infantis] e o título. Lendo o título você consegue ter uma ideia do que esperar da obra [impossível não criar um link com O Diário de Anne Frank].


          O livro, escrito por Iwona Chmielewska, une ficção a acontecimentos verídicos, o que nos permite mergulhar no universo do Doutor Korczak e suas crianças. As descrições dos “personagens” que compõem o orfanato são tão delicadas e de uma maneira tão real, soando mesmo como se uma criança nos estivesse contando os causos e características de cada um. Conseguimos nos familiarizar e nos relacionar com cada um dos personagens e suas peculiaridades.


          Mas, a meu ver, o “ponto alto” do livro são as descrições e registros a respeito do Doutor. Não pude deixar de me emocionar e me sentir completamente APAIXONADO por ele, pois, vi muito de mim no que li sobre ele.


“O Doutor sempre nos fala que toda criança tem o direito de guardar para si mesma todos os seus sonhos e os seus segredos. E ele também nos diz que a verdade sempre deve ser contada para as crianças.”
[páginas 40 e 41]


O trabalho que tento realizar e as mudanças que busco alcançar para com minhas crianças é totalmente embasado na afetividade e, lendo o Diário de Blumka, pude notar que o trabalho do Doutor era desta mesma maneira. A leitura foi extremamente emocionante para mim porque me enxerguei nele, no trato dele para com as crianças, no RESPEITO e valorização das características próprias da infância e, principalmente, pelo fato de ele NÃO SUBESTIMAR suas crianças. E isso é fantástico!


É muito bom encontrar um personagem onde você consegue ver e identificar tantas características maravilhosas e, ainda por cima, sentir-se mais inspirado para continuar e seguir em frente fazendo um trabalho transformador, visando as mudanças positivas na vida das crianças.


“O Doutor nos ensinou que as meninas e os meninos têm os mesmos direitos e podem fazer as mesmas coisas.”
[página 47]


Meu trecho favorito, que aqueceu meu coração [e que eu achei a “minha cara”] é:

“O Doutor sempre nos deixa fazer bagunça e barulho. Proibir uma criança de ser criança, ele diz, é como ordenar que seu coração pare de bater”
[página 59]


Isso é tão lindo e poético e cheio de vida que fez meus olhos marejarem enquanto eu sorria bobamente rememorando minhas próprias experiências com meus pequenos.


Diário de Blumka, como todo o catálogo da Editora Pulo do Gato, é uma obra ESSENCIAL. Rica em todos os aspectos, de uma beleza e leveza que farão todos os corações se aquecerem. Especialmente em tempos como estes em que estamos vivendo, um livro como Diário de Blumka se torna FUNDAMENTAL para podermos propor um debate franco com as crianças sobre todos os aspectos negativos que já ocorreram na história da humanidade e, principalmente, pelas discrepâncias que vêm acontecendo na atualidade. Por meio da história de Blumka e das crianças do Doutor Korczak você pai, tio, avô, educador poderá conversar com seu pequeno de uma maneira leve, mas, completamente profunda sobre “assuntos delicados”, porém, indispensáveis para o crescimento pessoal e formação de um cidadão crítico/reflexivo, capaz de [re]pensar sua própria existência e auxiliar para a efetivação de mudanças no meio social em que vive.


Para “fechar com chave de ouro” ao final do livro a editora ainda deixa um recadinho do coração que faz você fechar o livro com um grande sorriso nos lábios:



“A Editora Pulo do Gato dedica este livro a todos os educadores que, como Janusz Korczak, sabem como amar uma criança.”


*Livro recebido no mês de outubro pelo Clube de Leitores da A Taba.

Diário de Blumka

Autor: Iwona Chmielewska
Número de páginas: 72 páginas
Editora: Pulo do Gato  
Compre na Amazon clicando aqui

Onde está a salvação? ✝


Nos últimos anos, para além de minhas atividades remuneradas, tenho me dedicado à realização de trabalhos voluntários, contando histórias, auxiliando crianças a fazerem trabalhos escolares e, atualmente, abrindo as portas de minha casa com meu Espaço de Leitura.


O Helder de hoje está a anos-luz de distância do Helder de outrora, mas, infelizmente, algumas pessoas não conseguem percebê-lo. Tudo o que veem de imediato são os trejeitos.
A pinta.
A homossexualidade [se me conhecessem um pouquinho mais saberiam que há muito mais sob a superfície, como o fato de eu não ser homossexual, mas, assexual homorromântico].


E é aí que entra a minha pergunta título do post: onde está a salvação?


Pelo que entendo a salvação está em ser uma pessoa boa, espalhar amor e amar um ao outro, sem ver a quem. Mas, me parece que muitos acreditam que a salvação está entre algumas paredes de tijolos.
Num edifício.
Numa igreja.


Quanto aos frequentadores de igrejas: o que eles realmente fazem para merecer a dita salvação?


Ir ao culto e julgar a roupa das irmãs traz salvação?


Ir ao culto e utilizar o pátio da igreja para destilar veneno contra os outros traz salvação?


O que você, querido irmão em Cristo, está fazendo para “merecer” a salvação?


[...]


Sigo fazendo meu trabalho, tendo a afetividade como fio condutor de todo e qualquer de meus atos.


Mudar o mundo, um passo de cada vez, é a minha missão pessoal.


Se a salvação significa propagar a discórdia e levar uma vida embasada em julgamentos, perdoe-me, mas, prefiro não ser salvo.