Resenha: O robozinho de madeira e a princesa lenha
Resenha: Doutora Era uma vez
“Eu acho que essa guarda tá mostrando o que ela desenhou e o que ela vai viver imaginando durante o livro!”
Foi assim que um aluno muito querido disso logo que iniciei a mediação de “Doutora Era uma vez”, mais um livro gracioso (e liiindo visualmente!) da Brinque-Book.
Eu amo acompanhar o desenvolvimento das crianças enquanto leitoras e poder visualizar o quanto de seus repertórios vai se ampliando ao longo do ano letivo, de maneira que suas inferências tornam-se cada vez mais pontuais e cheias de segurança, completamente coerentes com suas trajetórias e com as narrativas que leram/ouviram.
A Doutora Era Uma Vez atua no mundo encantado dos contos de fadas. Dentre seus pacientes estão Cinderela ― que machucou o pé quando perdeu o sapatinho ―, Rapunzel ― que está com dor de cabeça de tanto carregar a mãe e o príncipe pelas tranças ― e o Lobo Mau ― que chamuscou o pelo na lareira dos três porquinhos. A rotina da doutora é muito agitada e o número de pacientes só aumenta. Mas, quando a garota fica doente, quem será que cuida dela?
O livro possui muuuitas referências aos textos clássicos e suas ilustrações são um atrativo à parte! As páginas duplas que se abrem “na vertical” são, de longe, as minhas favoritas, divinas!
“Doutora Era uma vez” é uma obra que convida à fabulação, apresentando uma intertextualidade carregada de poesia visual, que nos faz recorrer a nosso próprio repertório a todo momento, cada vez que nos deparamos com uma ou duas figuras que conhecemos. Uma verdadeira ode à imaginação infantil!
As autoras Catherine Jacob e Hoang Giang tornam realidade um dos faz de conta favoritos de muitas crianças: brincar de ser médico. Além disso, conseguem deixar a brincadeira ainda mais divertida ao transformar personagens clássicos da literatura infantil em pacientes, nos convidando a revisitar as suas histórias.
- Livro: Doutora Era uma vez..
- Escritora: Catherine Jacob.
- Ilustradora: Hoang Giang
- Tradutora: Julia Bussius.
- Editora: Brinque-Book.
Resenha: Quatro ladrões
O que acontece quando quatro ladrões profissionais dependem de seu sobrinho distraído para executar um plano mirabolante?
A resposta para a questão acima é: um livro divertidíssimo (mais um!) do incrível Guilherme Karsten (eu AMO “A Caçada” e “Carona”).
Havia cinco ladrões. Eles eram os piores ladrões da cidade. Na verdade, havia quatro… e o sobrinho deles, o Osvaldo, um garotinho muito distraído e que passava o dia todo desenhando.
Na narrativa conhecemos os piores ladrões da cidade. Ladrões profissionais! Daqueles que constam na lista de procurados e tudo o mais. Eles, prestes a executar mais um de seus grandiosos assaltos, contam com o apoio artístico de Osvaldo, o sobrinho.
“Quatro ladrões” é um daqueles livros que diverte e envolve, que capta os leitores desde o momento inicial, pois, assim como os ladrões, que possuem cada um sua responsabilidade (um tem todas as ferramentas, o outro é o mestre dos disfarces, um cuida da segurança e o outro vigia), nós, leitores, ficamos com a melhor das incumbências: acompanhar as estripulias desta trupe!
Li este livro em Praça pública, no distrito de Guaraná, em uma das ações de nosso Espaço de Leitura... como foi delicioso para mim, enquanto mediador, acompanhar as inferências mirabolantes do público tentando prever e imaginar o destino dos quatro ladrões e meio!
Será que esse grupo improvável irá conseguir planejar um grande assalto ao banco? Só esperamos que o Osvaldo não se distraia dessa vez...
Em uma narrativa original e engraçada, Guilherme Karsten nos mostra que, às vezes, as nossas fraquezas podem se mostrar verdadeiros talentos.
- Livro: Quatro ladrões.
- Autor: Guilherme Karsten.
- Editora: HarperKids.
Resenha: A matemática do urso
Resenha: Azul Haiti
Resenha: O jardim da minha Baba
Uma celebração terna e comovente do amor entre gerações, com destaque para a relação entre um neto e sua amada avó.
A relação com os avós retratada nos livros ilustrados é sempre algo que me comove bastante... por aqui, só tive contato e vivência real com minha avó materna [meu avô faleceu quando eu era pequeno e tenho apenas fragmentos do tempo costurados na memória].
Minha avó Isaura e eu passamos por inúmeros momentos em nossa relação. Muitas risadas, muitos cafés compartilhados e uma certa ironia/deboche que, devo confessar, devo ter herdado dela.
Há algum tempo ela fez a travessia do espaço terreno, porém, cada vez mais segue presente e viva em nossos corações numa espécie de nostalgia-ultra-afetiva.
Inspirado nas memórias da infância do poeta Jordan Scott e ilustrado pelo premiado artista Sydney Smith, ”O jardim da minha Baba” é uma história profundamente pessoal que evoca sentimentos universais.
Conheci o BELÍSSIMO trabalho da dupla pelo lindo livro “Eu falo como um rio”, que sempre arranca suspiros. E um outro livro que fez parte de um momento significativo de minha vida foi o “Você se lembra?”, de autoria apenas de Sydney Smith.
“O jardim da minha Baba” explora as imagens, os sons e os cheiros experimentados por um menino que passa as manhãs com sua avó. Ele a visita todos os dias e a encontra em sua pequena casa abarrotada de ingredientes do seu jardim.
A narrativa conduz os leitores a compreenderem como a comunicação vai além das palavras faladas. A prosa poética de Scott capta momentos de profundo significado, enquanto as ilustrações de Smith conferem uma riqueza adicional à narrativa. Uma história rica em empatia, amor e compreensão - que explora temas profundos como imigração, pobreza, perda e fim da vida.
QUAIS SEMENTES TENS PLANTADO EM SEU JARDIM DA VIDA?
- Livro: O jardim da minha Baba.
- Escritor: Jordan Scott.
- Ilustrador: Sydney Smith.
- Tradução: Paula Marconi de Lima.
- Editora: Pequena Zahar.
Rodas de Leitura On-line para Educadores - Julho '25








