Resenha: A cor de Coraline 🌈


 Sinopse: Quantas cores cabem na pergunta “Me empresta o lápis cor de pele?”. Em A cor de Coraline, o ilustrador, designer gráfico e escritor Alexandre Rampazo passeia pelas inúmeras possibilidades contidas numa caixa de lápis de cor e na imaginação infantil a partir da pergunta de um colega para a pequena Coraline, e mostra que o mundo é mais colorido – e diverso – do que nos acostumamos a pensar. Com texto curto e bem-humorado e ilustrações graciosas, o livro aborda o tema da diversidade de forma lúdica para os pequenos. A quarta-capa é assinada pelo premiado escritor Ignácio de Loyola Brandão.



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          Sabe aqueles livros que são “amor à primeira leitura”? Pois então, este é um desses casos!


          Na verdade, minha relação com “A cor de Coraline” foi de amor à primeira “ouvida”. Apaixonei-me perdidamente quando ouvi a [maravilhosa!] @fafaconta contando-o em seu canal. Foi amor imediato! Desde então nutria um desejo de tê-lo em meu acervo, manuseá-lo e compartilhá-lo com meus filhotes.


          Finalmente comprei o livro, numa edição primorosa, belíssima, em capa dura, grandão, super colorido e divertidíssimo.


          Em “A cor de Coraline” Alexandra Rampazo nos apresenta um enredo encantador e a história se “desdobra” a partir de uma simples questão entre dois colegas de classe: “me empresta o lápis cor de pele?”.


          O livro é de uma delicadeza que encanta, diverte e emociona! ontem realizamos nossa última ação cultural de dois mil e dezoito e “A cor de Coraline” foi o livro que escolhi para compartilhar com as pessoas que vieram até o Espaço de Leitura... A escolha não poderia ter sido mais acertada! Todo mundo se emocionou, as crianças interagiram durante a leitura e o final, de aquecer o coração, deixou todo mundo com um sorrisão bobo nos lábios.


          “A cor de Coraline” é um daqueles livros “certeiros” que encanta crianças de todas as idades e tamanhos. Uma boa dica para presentear a quem você ama neste Natal [e em todas as outras datas possíveis!]. Ele está num preço INACREDITÁVEL na Amazon, aproveitem!


A cor de Coraline

Autor: Alexandre Rampazo
Capa dura
Número de páginas: 32 páginas
Editora: Rocco
Compre na Amazon clicando aqui

Prendendo a respiração



É chegado o final do ano.
Quem me conhece sabe o quão emotivo fico. Não por causa do Natal. Muito menos por conta de família. Mas, por causa das crianças.
Sempre. Eu sempre me entrego de corpo e alma ao meu trabalho e, quando vai se aproximando ao fim, vou sentindo um aperto por dentro, meus olhos constantemente ficam marejados, com qualquer fala e demonstração de afeto vou me remoendo por dentro, num verdadeiro turbilhão emocional.


É engraçado. Costumo falar sempre com mamãe: "se o Helder do passado me visse agora...". 
Realmente, ele sentiria um choque.


Costumo dizer que me tornei o pai que nunca tive.
Com cada criança estabeleço uma conexão diferente, um vínculo, uma relação afetiva que, tempos atrás, seria inimaginável para mim.


Vale ressaltar que meu início de trabalho no ambiente escolar [há 10 anos!] foi completamente involuntário. Meio que obra do acaso.
Estava passando por um período turbulento e conturbado, sem expectativas DE NADA, após uma grande desilusão. Achei que nunca conseguiria encontrar "o sentido da vida" e, nesse ano de dois mil e oito, em meio à tantas desconexões em minha vida, me vi empregado numa escola. Apenas por estar. Mas, quão grande seria minha surpresa ao término desse mesmo ano, com o espírito renovado e uma nova paixão estabelecida em meu interior.


Hoje, dez anos depois daquele início peculiar, não vejo à minha frente outra coisa que gostaria/conseguiria fazer que não fosse relacionado ao trabalho com Educação [seja ela em espaços formais ou não-formais].
Respiro Educação. 
Todos os dias. 
Todo o tempo.


Este respirar me move. Me comove. Muitas vezes me sufoca. Me deixa sem ar.
Agora, ao final de mais um ano letivo, me vejo assim: tentando manter o fôlego, respirar fundo, prender e soltar o ar sabendo que, mais uma vez, afetos e afecções foram vivenciados. 
Corpos marcados. 
Almas tocadas.

Resenha: Júbilo, o romance do jardineiro ♥

In my secret garden



“É na terra e não no céu
 que se cultiva o paraíso!”


          Hoje tive o imenso prazer de compartilhar essa leitura com meus filhotes da Barra. Antes de iniciar meu relato devo dizer que na primeira vez que li “Júbilo, o romance do jardineiro” eu chorei.


          Chorei pela sensibilidade do texto. Pela beleza das ilustrações.
          Chorei por ver a simbologia por trás da leitura me tocar tão profundamente a ponto de lágrimas saírem de meus olhos.


          Hoje, como sabia que precisaria substituir um de meus professores, adicionei Júbilo ao meu planejamento. Não poderia ter feito escolha melhor!


          Júbilo nos conta a história de Juvenal, um jardineiro que se vê obrigado a aposentar-se devido à falência de seus patrões. Todos os seus colegas partem para encontrar novos empregos e patrões, mas, ele não.


“Será pelos meus cabelos brancos,
A surdez, a miopia, o barrigão? (E porque sou queixoso e enrugado,
Lento, fraco e pesadão?”


          E, a partir daí, Juvenal se encontra num “declínio emocional”.
          O texto, todo rimado, torna a leitura fluida e as ilustrações poderosas nos causam inúmeras sensações e nos transmitem o estado melancólico de Juvenal.


          As crianças e eu conversamos bastante sobre os diferentes “significados” e representações presentes no livro.


          Conversamos sobre depressão. Sobre entregar-se aos sentimentos...
          Conversamos também sobre preconceito (de idade, cor, sexo). Sobre as diferenças de classe e direitos trabalhistas...
          Conversamos sobre a representação da infância e o poder das memórias afetivas...

          “Júbilo, o romance do jardineiro” nos possibilitou inúmeras conversas, diálogo franco, sensível e aberto.


“Esse livro é triste”. Disse-me E. que, após essa fala, prontamente completou: “Mas eu gostei muito”.


          Ao final da leitura nossos corações estavam aquecidos e cheios, feito balões repletos de ar.





Júbilo - O romance do jardineiro

Autora: Andrea Pizarro Clemo
Capa dura
Editora: Amelì
Para adquirir o livro entre em contato com a Maria Amélia que ela envia para todo o Brasil   


Luz e Escuridão




Sentado aqui no escuro, rodeado pelas trevas deste blackout [o segundo a acontecer num prazo de três dias] me pego pensando e refletindo sobre todos os acontecimentos dos últimos tempos.

Para muitos esta escuridão deve estar sendo muito simbólica. Como para mim. Em minha opinião isso é um sinal. Esta é a REAL materialização dos tempos sombrios em que estamos vivendo. Uma interpretação literal, eu sei. Mas, também sei que haverá pessoas dizendo que os raios e trovões foram um prenúncio à chegada do "Messias" ao poder. Pois é, cada um com seus devaneios.

Não é sobre isso que quero falar. Na verdade, não sei se sei sobre o que quero falar.
Só sei que quero.
Não quero me silenciar.

No começo fui excluindo e limitando meu círculo de pessoas e contatos. Por vontade própria. Mas, infelizmente, não consegui dar conta de excluir tanta gente, daí, resolvi "passar a bola" da responsabilidade para elas. Devo admitir que algumas pessoas me surpreenderam, tomaram como ofensa pessoal meu posicionamento político.

Na verdade, uma das frases que mais ouvi nas últimas semanas foi: "Eu não esperava isso de você!". Olha, devo estar fazendo algo de muito errado para alguém NÃO esperar que eu vá contra o fascismo e o preconceito. Seja ele de qual tipo for.

Viu como sou? Faço de TUDO uma autorreflexão.
Tudo é aprendizado.
Sei que, a partir de agora, devo ser muito mais incisivo e direto do que sou, para que ninguém em sã consciência consiga sequer duvidar do que meu interior é composto. Luta e resistência.

Houve aquelas pessoas que descreditaram ANOS de amizade, de cumplicidade e parceria que, agora, vejo que deve ter sido apenas superficialidade. Alguém que escolhe eleger um candidato que quer A MORTE minha e de meus pares é alguém que não tem consideração ALGUMA por minha vida.

Sabe o que é pior de tudo? A culpa de tudo não está no Jair. A candidatura dele serviu para mostrar realmente quem é quem e como as pessoas são realmente preconceituosas e pequenas. Por mais sofrido que tem sido, sairei desse momento muito mais esclarecido. Sabendo quem se importa de fato e quem só fala da boca pra fora.

Apesar de difícil, saio dessa situação toda muito melhor do que entrei. É importante saber quem realmente estará nas trincheiras ao meu lado daqui pra frente. E eu, definitivamente, não quero "reatar" amizade com ninguém.

Em relação a quem se omitiu, a meu ver, são PIORES, porque não tem a coragem de se posicionar e assumir seus pensamentos. Eu sabia que muita gente apenas me tolerava. Sabia mesmo.
Como sempre falo com meus amigos, sei que muita gente me admira e blá blá blá apenas porque não tenho um homem na minha vida e tal. Sei disso. Mas, não sabia que TANTAS pessoas apenas me toleravam. Que na verdade me odeiam e apenas "me engolem".
Agora, este é um problema.
Peguei a batalha para mim.
ELES VÃO TER QUE ME ENGOLIR.
Querendo ou não. Gostando ou não

Resenha: Flávia e o bolo de chocolate


Sinopse: Em meio aos questionamentos da pequena Flávia sobre a sua pele marrom – tão diferente da pele branquinha da mãe –, a premiada jornalista Míriam Leitão aborda temas delicados como adoção e questões raciais de forma sensível e lúdica para os pequenos. 

Flávia e o bolo de chocolate, com o perdão do trocadilho, é uma delícia literária! O livro é tão sutil ao abordar temas como adoção e questões raciais que, a meu ver, se torna muito útil no trabalho com os pequenos.


          No livro conhecemos Rita, uma mulher muito boa, que andava meio triste. E ficava cada dia mais triste. Ela queria ter um filho, mas não conseguia. Então, um dia, depois de muito pensar, ela encontrou a solução adotaria uma criança!


          Rita procurou e procurou até que encontrou Flávia. Depois de levar o bebê para casa, Rita orgulhosamente mostrava-a cheia de orgulho para suas amigas. Ela, enfim, tinha realizado seu tão querido sonho!


          Como sempre, uma vizinha amarga vira para Rita e diz: “ela não é sua filha! Vocês são muito diferentes!”.


          O livro se desenvolve desta maneira. Bem leve e descontraído ele vai, página a página, nos mostrando o desenvolvimento e crescimento de Flávia.


          Um dia Flávia acorda meio chateada, pois, depois de olhar tudo a seu redor e fazer comparações, percebeu que no mundo haviam coisas que eram superparecidas umas as outras e outras bem diferentes. E ela achava que não era muito parecida com a mãe.


          Aquele pensamento foi crescendo, crescendo em sua cabeça. Até que ela começou a chorar. A partir daí, vemos um diálogo completamente sensível entre Rita e Flávia e, a cada virar de páginas, nos encantamos mais e mais por essa relação.


          Ao final do livro a menina entende que não há problema em ser diferente. Pelo contrário: se tem uma coisa que nos torna iguais são nossas diferenças!


          Este foi o livro selecionado para a “primeira rodada” do Projeto “Leitura em Família” [onde as crianças levam uma bolsa com um livro + caderno onde as famílias anotam as reflexões sobre a história lida e o momento compartilhado] em uma de minhas escolas e o “resultado” não poderia ter sido mais positivo! As famílias se deliciaram e encantaram com a história de Flávia e muitos relatos nos deixaram [a professora e eu] completamente emocionados. Deixo abaixo o print de um dos relatos que tocou lá no fundinho do coração:


Flávia e o bolo de chocolate

Autora: Míriam Leitão
Capa dura
Número de páginas: 36 páginas
Editora: Rocco
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Resenha: Senhor cem cabeças


Sinopse: Para um encontro, ele veste todas as máscaras de seu guarda-roupa e não consegue decidir qual usar. Uma a uma, experimenta máscaras do mundo todo, traduções das emoções que o consomem: alegria, tristeza, timidez, raiva. Com um vocabulário que desvenda as origens étnicas e geográficas das máscaras e o que elas expressam, Senhor cem cabeças busca refletir o amplo repertório de emoções que as crianças são capazes de viver em um único dia em um belo inventário de máscaras dos mais diversos países, inclusive do Brasil.


          Eu adoro livros que tenham uma premissa “simples”, mas, que conseguem nos cativar instantaneamente. Em O senhor cem cabeças conhecemos uma personagem que está à procura da “cabeça ideal” para impressionar seu amor.


          Ao virar de páginas nos deparamos com máscaras belíssimas, de origens variadas, que representam o humor e o estado de espírito de nosso personagem. A cada máscara [ou cabeça] apresentada, ele nos diz como se sente e como expressa esse sentimento.


          O livro é um deleite. Super simples, mas, cheio de significado. Ao final dele somos apresentados com uma lista com cada máscara apresentada, seu nome e qual a sua origem.


          Li para as crianças do meu Agrupamento Produtivo e elas PIRARAM. Simplesmente. A cada página elas falavam “essa é minha favorita. Não! Essa é minha favorita! Já sei qual eu quero fazer”. Ao final da leitura propus que criássemos nós mesmos nossas “cabeças”, nossas máscaras representando uma persona diferente para encarar este mundão em que vivemos. Elas adoraram! Nossas ilustrações ficaram super criativas, agora nossa proposta é tentar confeccionar uma “máscara de verdade”, com papel maché e capaz de ser usada sobre o rosto. Vamos ver se conseguiremos!


          Nosso personagem, O senhor cem cabeças, após experimentar todas as combinações e expressões possíveis nos diz, belamente, que, para se estar com quem ama e por quem és apaixonado, basta ser você mesmo, pois, assim, um completará o outro. Unindo-se numa máscara enviesada por ternura e afeto.


*Livro recebido no Clube de Leitores da A Taba no mês de junho.



O Senhor Cem Cabeças

Autora: Ghislaine Herberá
Número de páginas: 120 páginas
Editora: SESI-SP, Editora
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Um parágrafo sobre a vulnerabilidade



          [...]

          Nunca fui de me abrir.

          Sempre encontrei dificuldades em me tornar disponível. Acessível. Pois, em meu subconsciente escorpiano, considerava isso uma fraqueza. Não queria me tornar vulnerável em frente às pessoas.

          Porém, com a maturidade, meus desejos e anseios mudaram. Minhas concepções também. E, com essas mudanças, em meus períodos de autorreflexão peguei-me desejando algo diferente. Uma conexão para além do carnal.

          Com isso, aos trinta anos, aprendi a me abrir com os outros.

          A não ter vergonha de expor meus sentimentos. Meus anseios.

          Nunca tive a coragem de mostrar para a pessoa que eu estava a fim. Enviar mensagem, tornando-me disponível, evidenciando meu interesse.

          Hoje, calejado, percebo que não há nada de mais em se expor. Em ser vulnerável.

          A vida é curta demais para nos atermos a detalhes tão pequenos (e insignificantes) como o orgulho e a timidez.

[..]
          Hoje me lanço.
          Me jogo.
          Me atiro, de fato.

[...]