Resenha: Quando nasce um monstro


Sinopse: Para quem lê este livro de monstro, existem duas possibilidades - ou a pessoa o lê à noite, e ri até cair da cama, ou lê de dia, e ri até cair no chão. Um livro cheio de possibilidades e de piadas.

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          Sabe aqueles livros que partem de uma premissa “simples”, porém, tornam-se absolutamente espetaculares? Então, este é o caso de Quando nasce um monstro.


          O livro inicia com a frase título e, a cada nova situação proposta, existem duas possibilidades: uma em que sempre está “tudo bem” e outra que se desdobra adiante, criando novas premissas que seguirão a cada virar de páginas.


          As situações que são apresentadas são HILÁRIAS e, é claro, a que mais arranca risadas das crianças é quando o monstro “devora a diretora da escola”. Não tem como não rir!


          Com a entonação certa na voz e uma boa carga de leitura dramática você conseguirá fazer de Quando nasce um monstro uma experiência fantástica e impagável com os pequenos.


          Eu já o conhecia, porém, ainda não o tinha em meu acervo. Recebi por meio da minha parceira do coração A Taba [que, a cada envio, me surpreende mais com o “tato” ao escolher as obras infantis!], e já o compartilhei com as crianças da nova escola em que estou trabalhando. Rimos demaaais!


          Resenha especializada A Taba:

“Muitas coisas podem acontecer quando nasce um monstro. Algumas, completamente inesperadas. Outras, nem tanto.
Se ele se tornar seu amigo e for até sua escola, por exemplo, talvez se transforme em um dos melhores alunos. Mas, e se ele comer você?
Neste livro, Sean Taylor explora com bom humor e altas doses de absurdo as diferentes consequências que cada ação pode provocar em uma narrativa.
Com um texto circular, que remete à uma brincadeira sem fim, o leitor é convidado a embarcar em um jogo onde a imaginação não tem limites.
Afinal, quando nasce uma história tudo é possível, não é mesmo?”


          Este é mais um daqueles casos “certeiros” em que você pode adquirir o livro de olhos fechados, pois, sem sombra de dúvidas, ele proporcionará momentos de diversão extrema! Dá para explorá-lo de inúmeras maneiras, seja apenas como leitura compartilhada do dia ou, também, propondo uma possível produção textual, utilizando algumas das possibilidades apresentadas no texto e propondo um desfecho diferente para elas [por exemplo: propor um texto coletivo com as crianças, onde você é o escriba, imaginando uma situação para “salvar” a diretora de ser engolida pelo monstro].


          Um livro se desdobra em mil possibilidades, basta você utilizar sua imaginação e deixar a criatividade fluir. Se utilizar a imaginação, tudo bem. Mas, se deixar a criatividade fluir… tudo pode acontecer!


*Livro recebido pelo Clube de Leitores da A Taba


Quando nasce um monstro

Autor: Sean Taylor
Número de páginas: 32 páginas
Editora: Salamandra
Compre na Amazon clicando aqui

Resenha: Branca de Neve e as Sete Versões ❤



Sinopse: Nesta releitura de um dos clássicos dos contos de fadas, José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta resolveram modificar o rumo da história. Os autores elaboraram a obra para que o leitor se depare com sete diferentes desfechos para a heroína.


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          Você já se perguntou o que aconteceria se a Branca de Neve se casasse com o Caçador ao invés do Príncipe Encantado? E se ela não arrumasse a casa dos anões e fizesse uma bagunça maior do que a que havia encontrado?


          Essas e outras hipóteses nos são apresentadas no [INCRÍVEL!] livro Branca de Neve e as Sete Versões, escrito pelos sensacionais [sou fã babão mesmo] José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta.


          Leia abaixo a resenha especializada da A Taba [retirada do site da Amazon] para entender melhor como funciona o livro:


“Os autores José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta, num divertido jogo narrativo, recontam a história de Branca de Neve em sete versões. A cada ponto-chave da narrativa, os autores dão opções para os leitores seguirem ou não a história, dando-lhes indicações de escolha. Podemos, por exemplo, acompanhar o caçador entregando-se à polícia, culpado por ter matado a princesa a mando da bruxa; o espelho mentindo para a bruxa – e tantas outras hilárias subversões praticadas pelos autores. Tudo para que o leitor seja livre, escolhendo o final que lhe convier.”


          Sou fascinado pelo trabalho de Torero e Pimenta. Eles têm sacadas geniais em seus livros e a cada um que leio me pego pensando: “Puxa! Queria eu ter escrito isso!”. O livro dá ao leitor o “poder” de definir o destino da história. Em determinados pontos do livro há opções de escolha para que o leitor decida qual rumo seguir. E isso é o mais fantástico do livro!


          Esta forma interativa de prosseguir com a história e a cada página se deparar com situações hilárias garante boas risadas!


          Li este livro nos últimos dias para a turma de terceiro ano em que eu estava trabalhando e, olha, posso dizer, foram nossos melhores momentos juntos! Eu já havia lido Joões e Marias para eles [também escrito por Torero e Pimenta], para que se “acostumassem” com a proposta dos autores – pois, em Branca de neve, eles levam a interação e a escolha por parte do leitor a um novo patamar.


          As crianças AMARAM [e eu mais ainda!]! Desde a possibilidade de Branca não se casar [o que nos rendeu um ÓTIMO debate e discussão] até se tornando a Princesa das Trevas, a cada dia, a cada nova versão, íamos nos encantando mais e mais, e compartilhando muitos sorrisos e gargalhadas.


          Ler Branca de Neve e as Sete Versões foi uma das melhores experiências de leitura que já tive em sala de aula! Eu já era apaixonado pelo livro [comprei-o em 2015], mas, poder compartilhá-lo integralmente com 29 crianças foi INDESCRITÍVEL!





As ilustrações de Bruna Assis Brasil são uma atração à parte! Engraçadíssimas, elas acompanham o tom da narrativa e nos fazem dar boas risadas [as crianças MORRERAM com os narizes dos personagens!]






          Essa é mais uma daquelas “compras certeiras”, porque é simplesmente IMPOSSÍVEL não se divertir com este livro. ele é excelente porque não subestima a criança leitora [ou ouvinte] ao apresentar diversas nuances diferentes para uma mesma história. Pelo contrário, ele instiga a imaginação e aguça a criatividade dos pequenos [e grandes!] leitores!


          *UPDATE: É muito engraçado como os contos de fadas "tradicionais" já estão arraigados dentro de nós. No último sábado, 24/03, durante nossa Manhã Confabulatória aqui no Espaço de Leitura, contei para os presentes a versão deste livro em que a Branca se torna uma veterinário ao final. Durante a leitura foram vários os momentos em que as crianças interagiram, me parando no meio da contação, para "discutir" sobre as mudanças. A história rendeu muitas [muitas mesmo!] risadas e a conclusão de que, definitivamente, precisamos escrever outras versões dessas histórias que já nos são tão familiares.




Branca de Neve e as Sete Versões



Capa da edição da Alfaguara
Capa da edição da Companhia das Letrinhas

Autores: José Roberto Torero & Marcus Aurelius Pimenta
Número de páginas: 52 páginas
Editora: a minha edição é da Alfaguara, porém, agora o livro é editado pela Companhia das Letrinhas.
Compre na Amazon clicando aqui



Clube de Leitores - A Taba




Hey, hi, olá! Como vai?



Como sabem, tornei-me parceiro da A Taba neste ano de dois mil e dezoito e hoje resolvi vir falar um pouquinho sobre eles para vocês.



Para quem não conhece A Taba é uma empresa especializada em curadoria de livros infantis e juvenis. A esquipe da A Taba é formada por um grupo independente de especialistas em literatura infantil e juvenil, pais, bibliotecários e contadores de história com um único objetivo: formar uma aldeia, um coletivo de pessoas que vive e experimenta leituras.



A Taba possui um Clube de Leitores que envia mensalmente para seus assinantes livros de extrema qualidade editorial e literária. O Clube é dividido em quatro planos:


- Bebê: para pequenos leitores que acabaram de chegar ao muno ou ainda estão aprendendo a falar e descobrindo o mundo ao seu redor;


- Leitor iniciante: para leitores que necessitam de ajuda para ler ou que estão começando a se aventurar pelo mundo da leitura [este foi o plano que iniciei, ante de trocar para o Autônomo];


- Leitor autônomo: para leitores que já são capazes de ler e compreender algumas obras sem ajuda [este é meu plano atual, a cada mês me encanto e delicio com os livros enviados, são simplesmente FANTÁSTICOS];


- Leitor experiente: para crianças e jovens que já se tornaram grandes leitores e se atrevem a ler obras mais complexas e longas.



Eles primam pela literatura de qualidade, selecionando obras que se adequam ao nível de leitura/compreensão de sua criança.



Já fiz parte de outros dois Clubes de Assinaturas de livros e posso afirmar, sem um resquício sequer de dúvidas, que A Taba é o melhor. Em todos os sentidos. Para além do Clube de Leitores, eles publicam e desenvolvem material de qualidade sobre literatura e a realidade leitora, promovendo bate-papos com temas e participantes sensacionais; eles ainda contam com uma “loja” própria na Amazon com livros selecionados especialmente para cada tipo diferente de autor, com uma resenha especializada e, além de tudo, no site encontramos vários artigos sobre livros diferentes. Enfim, A Taba é MA-RA-VI-LHO-SA!



Sei que algumas pessoas possuem certa dificuldade e não sabem como selecionar um bom livro para seus filhos/alunos/sobrinhos [digo isto, pois, recebo vários pedidos de dicas e sugestões], portanto, voz digo: ASSINEM A TABA! Vocês receberão mensalmente uma obra de QUALIDADE, com um MAPA DE EXPLORAÇÃO para nortear a leitura e/ou  direcionar o debate pós-leitura.



O valor dos planos se encaixa a todo tipo de orçamento e é super acessível! Acesse o site da A Taba e seja feliz!



*Nos links abaixo você encontra a resenha de dois livros que recebi no Clube de Leitores:




Resenha: Os contos de Beedle, o Bardo

Sinopse: Os contos de Beedle o bardo o novo livro da autora de Harry Potter J. K. Rowling. Citado em Harry Potter e as Relíquias da Morte o livro reúne cinco textos escritos e ilustrados por Rowling e terá lançamento simultâneo em todo o mundo. Com introdução notas e comentários de Alvo Dumbledore Os contos de Beedle o bardo revela um pouco mais da personalidade fascinante do professor além de trazer de volta nomes conhecidos dos fãs da série Harry Potter e histórias curiosas sobre o passado de Hogwarts.


   Vamos falar de coisa boa? [não, não falaremos sobre a Yogurteira TopTherm].


   Sabe aqueles livrinhos que fazem parte de nossas vidas? Que nos acompanham há anos e, a cada nova leitura, nos enchem de alegria e satisfação?


   Então, este é meu caso [de amor] com Os Contos de Beedle, o Bardo. Um livrinho "pequeno", mas, grandioso em suas histórias.


   Para quem não conhece, Os Contos de Beedle, o Bardo faz parte da Biblioteca de Hogwarts, ele compõem o 'currículo' dos alunos que estudam na escola. É "uma coletânea de histórias populares para jovens bruxos e bruxas, contadas há séculos à hora de dormir [...] As histórias de Beedle se assemelham aos nossos contos de fadas sob muitos aspectos; por exemplo, a virtude é normalmente premiada e o vício castigado".


Quando criei minha própria versão de Beedle



   Os Contos de Beedle, o Bardo é um presente de J.K. Rowling [uma de minhas maiores inspirações] para nós, fãs e para todos admiradores de boa literatura. Um livro que considero tão bom e fundamental quantos os clássicos contos de fadas. Já me peguei lendo e relendo-o várias vezes. Emprestando para as crianças e, também, lendo em voz alta em sala de aula e momentos de leitura diversos.


   O livro possui cinco contos distintos, cada um encantador à sua própria maneira [e todos acompanhados por comentários do lendário Alvo Dumbledore]. A escrita de J.K. é tão rica e flui tão naturalmente que você se pega imerso e vidrado nas pequenas histórias e, sem perceber, a leitura flui de maneira tão natural que, ao se dar conta de que terminou, você quer mais e mais.


   No livro está presente o já famoso e clássico "Conto dos três irmãos", um ícone para os fãs da saga e que será capaz de encantar e fascinar todo e qualquer tipo de leitor.


A magia da leitura


   Os Contos de Beedle, o Bardo é um livro excelente para se ler com as crianças, de qualquer idade! Costumo ler um conto por dia, na leitura inicial antes das atividades de sala. As crianças se encantam. Se você está à procura de uma leitura CERTEIRA que prenderá a atenção de seus alunos/filhos/sobrinhos/netos adquira este livro. Beedle, o Bardo é tão incrível quanto Esopo e os irmãos Grimm e seus contos DEFINITIVAMENTE deixarão as crianças fascinadas, num passe de mágica!


Os Contos de Beedle, o Bardo

Autora: J.K. Rowling
Número de páginas: 128 páginas
Editora: Rocco
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Resenha: Entre nuvens


Sinopse: Essa é a história de uma menina que sonhava em ser como um pássaro para poder ter uma nuvem só para ela. “Ela pensava: ‘Lá em cima, alguma coisa existe. Deuses, fadas, anjos ou gente de verdade’.” Porém, na cidade em que vivia, ninguém tinha tempo para sonhar. A menina resolve subir na montanha mais alta daquele lugar para poder pegar uma nuvem. Nessa montanha vivia um menino. Ele não achava a menor graça em olhar o céu, mas achava o sorriso da menina a coisa mais bela do mundo. E para vê-la sorrir para sempre, ele deu o melhor presente que ela poderia imaginar...


          André Neves… o que dizer desse cara?
         
         
          Acho que, inicialmente, deve-se dizer que ele é simplesmente INCRÍVEL! André escreve, ilustra e cria obras fantásticas, carregadas de uma sensibilidade poética ímpar. Dono de um traçado marcante e característico, André cria livros que fascinam, encantam e nos transportam a lugares incríveis e fascinantes.


“De repente, aconteceu.
As nuvens pararam sobre a cidade.”


Em Entre nuvens conhecemos uma menina que vivia admirando o céu. Uma menina que admirava os pequenos prazeres da vida. Uma pequena "Amélie Poulain" que se fascinava com as coisas belas a seu redor, como o clarear do sol e a perda lentamente do dia ao anoitecer. Se ela pudesse, pensava, teria uma nuvem só para si.


A menina, de uma sabedoria sem precedentes, pensava que lá em cima, no céu, alguma coisa existe, deuses, fadas, anjos ou gente de verdade. Ela não se cansava de olhar para o alto e sonhar, perder-se em pensamentos e devaneios que a suprimiam e encantavam. Enquanto a menina sonhava os moradores da cidade não tinham tempo algum para fantasiar, pelo contrário, eles até achavam que a menina já tinha ficado com a cabeça nas nuvens.


O livro segue com o encantamento da menina para com o céu. E conhecemos um menino que morava um pouquinho distante daquela cidade, bem no alto de uma montanha. Ele não achava graça alguma em olhar o céu. Mas, não deixou de se admirar com a coragem da menina que, desbravando a maior montanha dali [onde morava o menino] adentrou-se em sua casa, sem ao menos licença pedir, a fim de pegar uma nuvem para si.


“Para mim é o que há de mais belo no mundo.”


O menino, deslumbrado pelo sorriso da menina, e querendo vê-la sorrir sempre, costurou vários lençóis e deu-lhe de presente um balão. A menina subiu, subiu, subiu e encheu o céu de cores e sorrisos. O leitor, a cada virar de página, se encontrará como a menina: com um sorriso largo e fácil nos lábios e com os olhos brilhando, fantasiando, experimentando sonhos e devaneios que o levarão para além das páginas. Para além das nuvens. Para o céu.


Entre nuvens é mais um primor literário de André Neves [que, hoje, é uma de minhas grandes inspirações, assim como Eva Furnari e Maurice Sendak]. De uma doçura infinita, texto e imagens conversam entre si, transbordando amor a cada página e levando o leitor a se [re]encontrar com seus próprios sonhos e desejos.


Por vezes achamos que não temos tempo para contemplar o que está à nossa volta. Que a vida é muito corrida para se permitir curtir os pequenos prazeres da vida, mas, Entre nuvens nos mostra que tudo se torna mais colorido e carregado de sorrisos quando nos permitimos VIVER conforme nosso próprio ritmo.


*Premiado pela Revista Crescer

*Selo Altamente Recomendável FNLIJ


Entre Nuvens

Autor: André Neves
Número de páginas: 32 páginas
Editora: Brinque-Book
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Resenha: O Exorcista


Sinopse: O Exorcista é provavelmente a referência principal de qualquer apreciador do terror no cinema. O que nem todo mundo sabe é que a história original que inspirou o longa foi publicada dois anos antes, em 1971, pelo escritor e roteirista William Peter Blatty. Após ler uma matéria sobre o exorcismo de um garoto de 14 anos, Blatty concebeu a perturbadora trajetória de Chris MacNeil, uma atriz que sofre com as inesperadas mudanças de comportamento de sua filha, Regan. Quando a ciência não consegue descobrir o que há de errado com a menina e uma nova personalidade demoníaca parece vir à tona, Chris busca a ajuda da Igreja no que parece ser um raro caso de possessão demoníaca.



Olá! Hoje tentarei falar sobre o clássico-mor do terror: O Exorcista de William Peter Blatty. É muito difícil falar sobre uma história tão conhecida por todos, pois, as opiniões e perspectivas podem ser bastante variantes entre um sujeito e outro, porém, hoje darei o meu ponto de vista deste livro que, já vou resumindo, é simplesmente ESPETACULAR!


O Exorcista, o filme, é um de meus favoritos de todos os tempos. Sou completamente fissurado pela atmosfera gélida e envolvente que me prende toda a vez que assisto, como se fosse a primeira vez. Fico com uma sensação de imobilidade perante a televisão, quase que em transe hipnótico. É fantástico. Porém, ainda não tinha lido o livro. Já o havia comprado há um tempo, mas, não tinha tido o tempo de lê-lo. Aproveitei este período de recesso escolar para realizar a leitura.


Enquanto lia, fiquei com tanta raiva de mim mesmo pensando: Helder, por que você demorou tanto tempo para ler esta obra prima?


O livro é FANTÁSTICO! Consegue superar o filme no quesito “atração”, pois, me vi preso às páginas, fissurado, hipnotizado querendo ler e ler e devorar aquelas páginas a fim de chegar ao final. Mesmo já conhecendo a história! E isto é fantástico. Mostra o PODER da escrita de Blatty, pois, mesmo se tratando de uma história extremamente difundida e conhecida, não pude deixar de me ver pasmo ao ler as descrições dos acontecimentos de Regan e o reflexo desses acontecimentos àquelas que estão a seu redor.


O Exorcista já vendeu mais de 13 milhões de exemplares. Para quem viveu numa bolha nas últimas décadas ou estava fazendo uma viagem à lua, O Exorcista nos apresente a história de Regan, uma doce garota de doze anos que acaba sendo acometida por uma entidade que toma seu corpo, fazendo-a definhar e criando dúvidas para sua mãe e todos os que têm contato com ela que, ao verem-se diante daquela insana transformação da garota, buscam as mais variadas formas de solucionar este caso, passando por inúmeros médicos, realizando vários tratamentos e aplicando vários medicamentos na menina, até verem-se obrigados a apelar para algo além do convencional: um exorcismo.


A história é muito bem construída e escrita. Blatty faz despertar em nós sentimentos estranhos, insanos e sombrios. Fazendo-nos encarar nossos próprios medos e, em muitos momentos, questionar nossas crenças e fé. Sua escrita rica em detalhes e sensações justifica o porque depois de tanto tempo [o livro foi publicado originalmente em 1971] O Exorcista continua despertando o interesse dos leitores de várias gerações. Estabelecendo-se como o clássico-mor da literatura sombria.


O Exorcista vai muito além do que se espera e, contradizendo o senso comum, não é um livro que promova o ocultismo, satanismo ou qualquer outra baboseira que os leigos [entenda-se aqui, quem ainda não o leu] possam pensar, pelo contrário, é uma história que trata sobre a natureza humana, sobre qual é limite de suas crenças [ou a falta delas]. Para além da batalha entre o bem e o mal, O Exorcista é uma reflexão sobre a vida e a morte. Sobre o quão finita é a existência física e infinita é a existência espiritual.


Mesmo já conhecendo o final da história, me senti completamente emocionado ao ler. O final é poderoso e encerra gloriosamente o livro.



O Exorcista é uma leitura ESSENCIAL, não apenas para os amantes do gênero, mas, para todos que apreciam uma história RICA e bem ESCRITA.



O Exorcista

Autor: William Peter Blatty
Número de páginas: 336 páginas
Editora: Harper Collins Brasil
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Resenha: O pacto do bosque


Sinopse: Todas as noites, os dois irmãos pedem para que a mãe lhes conte a mesma história: a dos coelhinhos que fogem de casa em direção ao bosque e, ao se perderem, encontram uma grande e triste loba, que chora por ter perdido a visão e não poder cuidar dos filhotinhos que estão por nascer. Tocante e poético, o enredo aborda o poder transformador do amor, da amizade e da gratidão. Um livro que instiga a reflexão sobre a natureza das relações entre os diferentes e desconstrói a noção de que elas precisam se basear no conflito.

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     Há algumas leituras que, mesmo antes de realizá-las, você já sabe [ou sente] que serão especiais. Este foi o caso de O pacto do bosque, publicado pela Editora Pulo do Gato 


     Não sei o porque, mas, desde quando vi sua capa pela primeira vez senti uma atração instantânea e eu sabia que, cedo ou tarde, aquele livro deveria fazer parte de meu acervo literário. Adicionei-o a minha lista de desejos imediatamente.


     O tempo foi passando, comprei mais alguns livros da editora, recebi outros por meio de nossa parceria, mas, O pacto do bosque continuava em minha lista, olhando para mim com sua bela e artística capa. Decidi, então, comprá-lo durante a Black Friday, fiz um levantamento prévio a fim de decidir quais livros de minha lista de desejos eu iria comprar e o inclui no montante.


      Porém, como num bom conto de fadas, houve uma pequena e agradável reviravolta: a adorável Júlia Martins, responsável pelo contato entre a editora e os parceiros, enviou-me um e-mail perguntando se havia algum livro específico no extenso [e incrível!] catálogo da editora que eu gostaria de receber em especial. E não deu outra! Imediatamente respondi dizendo que o escolhido era: O pacto do bosque.


     Bom, o livro chegou e, para minha surpresa, superou TODA e QUALQUER expectativa que eu havia criado para com ele!


       O livro é incrivelmente lindo. O texto é de uma leveza e sensibilidade capazes de comover e envolver leitores de qualquer idade.


      As ilustrações funcionam como verdadeiros ímãs, atraindo seus olhos para toda a extensão das páginas, fazendo-os percorrem as dimensões do papel analisando, observando e se deslumbrando com o traçado assombrosamente mágico de Beatriz Martin Vidal. Percorri o livro inteiro me deliciando com as ilustrações e com uma sensação de familiaridade que não sabia ao certo do que se tratava, até chegar ao final do livro e ver que a ilustradora também ilustrou um dos livros mais lindos [e experiências mais fantásticas de leitura que já tive em minha vida como professor] que já li na vida: Íris - Uma despedida [confira o relato de minha experiência de leitura deste livro clicando aqui]!


          Uma das coisas que mais me emocionaram, de imediato, foi a maneira com que o livro se inicia [tão semelhante aos momentos que vivo aqui em casa, em meu Espaço e vivi durante meus anos de trabalho em sala de aula]: a mãe bem juntinha às crianças, com elas aninhadas num momento de aconchego e intimidade afetuosa para o momento da história antes de dormir. Achei muito bacana e me relacionei completamente, pois, muitos foram os momentos que vivi assim, deitado, com os “guris” sob meus braços, aconchegados como se fôssemos uma família de passarinhos, bem atentos para ouvir histórias que, muitas vezes, como no caso de Paula e Gustavo, eram repedidas.
         

          Em O pacto do bosque todas as noites as crianças, Paula e Gustavo, pedem a sua mãe para contar a mesma história. A mãe conta a história da trégua envolvendo lobos e coelhos que, devido a certo acontecimento no bosque, tornaram-se amigos. No livro há uma “história dentro da história”. Acompanhamos a mãe contar a história dos dois coelhinhos irmãos, Orelhinha [que a tudo ouvia com suas grandes e poderosas orelhas] e Lambe-Lambe [que, por ser filhotinho, tudo lambia] que, apesar de terem ouvido sua mamãe coelha dizer que não deveriam entrar no bosque, um dia a desobedeceram e partiram para uma inesperada aventura em meio aos perigos que os cerceavam.


          Dentro do bosque os dois coelhinhos seguem tranquilamente, sem se atentaram a o quão dentro do bosque estavam se enfiando até que se dão conta de uma coisa assombrosa: estavam perdidos! Porém, mesmo sem saber como voltar para casa e com a escuridão imponente sobre eles, os dois irmãos ouvem um grunhido, um soluçar acompanhado de um choro. Os dois, impetuosos e aventureiros, dirigem-se até a origem do som e se deparam com uma loba prenha, com os olhos cobertos por lama, dizendo que havia ficado cega e estava desesperada por não saber se conseguiria cuidar de seus filhotes nesta situação.


O coelhinho Lambe-Lambe, que a tudo lambia, vendo as lágrimas escorrendo pelos olhos da loba aproxima-se e passa a lamber seus olhos removendo, assim, todo o barro e lama que havia sobre os olhos da loba que, imediatamente, volta a enxergar. E assim a loba, emocionando-se por ter sido salva de sua situação precária, acolhe os dois coelhos e os mantém aquecidos durante a noite, levando-os para casa na manhã do outro dia.


          E, assim, instaurou-se o pacto do bosque. Os lobos passaram a acreditar que a saliva dos coelhos é mágica e, por isso, nunca mais deveriam lhe fazer mal.


          Vale ressaltar que as ilustrações, enquanto acompanhamos a aventura de Orelhinha e Lambe-Lambe pelo bosque, retratando os dois personagens de maneira muito semelhante às duas crianças que ouvem atentamente a mãe contar-lhes a história na cama. Os coelhinhos são, na verdade, as duas crianças fantasiadas. O que dá um ar muito mais lúdico e nos faz ouvir e acompanhar a história como se nós leitores fôssemos crianças como Paula e Gustavo, que nos inserimos e somos representados pelos personagens que acompanhamos.


No final do momento de leitura, Paula pergunta à sua mãe se realmente havia mágica ou se o que havia acontecido era apenas a remoção do barro que estava sobre os olhos da loba. A mãe, poeticamente responde:

“Bem, querida, quem há de saber o que aconteceu? [...]  Na realidade, o que curou foi o amor.”


          Li o livro para meu aluno José Leone e, ao final da leitura, enquanto conversávamos, perguntei o que ele achava que de fato tinha acontecido. Se havia magia nos pequenos coelhos ou se apenas o acaso havia acontecido, com Lambe-Lambe removendo o barro dos olhos da loba. Ele, com a sensibilidade mágica e poética de uma criança me respondeu: “MAS É CLARO QUE A LÍNGUA DELE ERA MÁGICA!”.


          Pois é, O pacto do bosque é tudo aquilo e muito mais do que eu esperava. Uma fábula que trata sobre o amor, infância, coragem e amizade. Terminei a leitura com um sorriso bobo nos lábios, com os olhos brilhando e me enxergando completa e inteiramente na mãe que, ao observar seus filhos adormecerem, pensou que o amor era mesmo inexplicável…


*Livro recebido em parceria com a Editora Pulo do Gato 


O pacto do bosque


Autor: Gustavo Martín Garzo
Número de páginas: 32 páginas
Editora: Pulo do Gato 
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